segunda-feira, 10 de março de 2008

2008 - Ano da Gramática da Ira


Gramática da Ira

Abraçarei cada negro que se opõe à discriminação e ao racismo e deseja resistir, fazendo alguma coisa, mesmo pequena que a tarefa possa parecer. Desejarei a todos que lerão minha Gramática o fortalecimento de sua convicção de que não se pode permanecer inativo.

Eu queria apontar para a tese de que a união e a luta pela emancipação do povo negro é desde sempre uma exigência do agora. Eu almejo isso porque, acima e abaixo de qualquer teoria e qualquer circunstância, a obrigação de todos os negros revolucionários é fazer revoluções negras.
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A acusação de "violento" ou "raivoso” terá um significado para mim positivo. Minha Ira adquire a roupagem da cor da pele preta. Ela não divide, ela não desacredita; pelo contrário, ela representa nosso centro da atração e da irradiação.

Hoje, a liberdade de ser um negro "Irado" é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta contra a vergonhosa ditadura etnocentrada da tradição brasileira.
...
Para o homem violentamente transplantado, não pode haver fronteiras nacionais.
Nossa pátria é nossa dispersão.


nelson maca - gramática da ira

É Sérgio Garrincha Vaz! E que se dane o Zidane!

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Sérgio Vaz entra no baba

"Sérgio Garrincha Vaz não é o dono da bola,
mas cabe em qualquer seleção que corra pelas beiradas!"
- Telê Santana e Osvaldo Brandão


Sérgio Vaz:
- Maka, eu aqui sem contrato renovado com o Palmeiras,
e vocês nem me chamam para bater uma pelota.
Um dia ainda vou mostrar em quem Zidane se inspirou. Lembra?

Maca:
- Cara, como me lembro!,
um dia feliz ao teu lado, cracão.
Ri muito, você é o Cara, Sérgio Zidane Vaz...

Mas, para mim, você é o Garrincha:
Bábaro e Nosso!

Sérgio Vaz:
- Não faço poesia
Jogo futebol de várzea
No papel

Maca:
- meu sempre muito obrigado
pela moral que têm dado,
a esse neguinho aloprado
driblando no campo da várzea
solto na pequena área
que solta a bomba descalço
dos dedo sem unha
dos joelho ralado
de tanto chutar errado nos arranca toco animado

domingo, 9 de março de 2008

Nelson Maca (eu) e GOG Batem uma Bola

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G.O.G:

- A rima tem urgência, o caso é complicado
Tem que ser certeira, não pode errar o alvo
A rima denuncia e sacrifica...
A rima não se silencia nos lamentos nos desgostos
É eterna, seu autor nunca está morto

Maca:
- Não há dúvida que o meu verso é também o meu quilombo ardente
Atento às doutrinas absolutas que me querem escalpelar o pixaim
Queimar na fogueira do esquecimento meus sentimentos íntimos
Alisar minha língua no ferro quente do feitor que mantém acesa a fogueira
Conformar meu silêncio na pasta quente para endireitar meus gestos

G.O.G:
- A CPI da favela.
A luta do vinil contra a alienação da novela
Eu sou o povo então posso ser o que quero
Eu sou o baixo salário, o incendiário,
Ou a foice e o martelo
Eu sou barraco de madeira,
A criança que chora por falta da mamadeira,
O catador no final da feira

Maca:
- No vácuo das mentes no vazio das mãos sem ter nada para fazer
Todos os sentidos e imaginações, sensibilidades e emoções
Todos os lamentos e desejos, esperanças e idéias de nossa raça
Todos os inconsoláveis recalques e as inesquecíveis angústias desabam
Sobre nosso próprio lombo em carne viva desabam
Sobre nossas chagas curtidas no sal do isolamento desabam

G.O.G:
- Vamos apagá-los com nosso raciocínio,
Quem diria tamanho atrevimento de uma raça
Que eles sempre consideraram de símios, “sub raça!”
Subalternos eternos otários, pode crer, sempre foi um escracho

Maca:
- rapadura
somos de fato as pedras adoçadas no sapato do senhor que nos quis
ensacados
os estalos dos talos ceifados sem tréguas em nome da opulência
os mordidos nos dentes da verdade corporal
os mascados nos cilindros da mentira colonial
os moídos nos ossos até se contorcerem as fibras do bagaço
os embranquecidos no couro da consciência chicoteada
os refinados nos gestos para mesa e cama fidalga

G.O.G:
- Baseado em fatos reais que ocorrem no Brasil e se repetem na América Latina e em todo o mundo. A dura realidade exige soluções urgentes: o pobre não tem, o rico não desfruta, e a vida se vai nessa eterna luta. Aviso às gerações...

Maca:
- Tirei o sorriso da cara e suprimi a ginga do corpo
Malcolm disse que ser inteligente nos torna violentos conscientes
Ele sabe da raiz e a razão de minha inevitável revolta
Fanon disse que o problema de cor só se dá no mundo que “eles povoaram”
Ele demarca a semente da rejeição no cromatismo disforme do novo mundo
Florestan disse que restou ao negro excedente o trabalho sujo e mal pago
Ele flagra por trás das fachadas da integração a agonia que “eles nos oferecem”

G.O.G:
- Quanto mais de nós matam, mas a nossa raça procria
E todo esse mal a gente assimila, transforma em poesia
Dia a dia da periferia

Maca:
Oh!, meu Brasil verdadeiro
Não me iludo mais com suas falácias
Devo mesmo apagar essa longa mentira
Devo mesmo cobrar esta dívida antiga
Devo mesmo dizer que não há mais dúvidas
E mesmo que não seja a tua vontade
E mesmo que seja para o desespero geral da nação
Diga aos vermes que eu fico

GOG:
- Falo em parábolas, cantando o dia-a-dia
Respeito é eterno, sucesso é euforia
Sempre presente, idéias novas no pente
Não é preciso estar na frente, mas ser diferente

Hip Hop é mais que treta, caneta, bombeta, jaqueta,
Escopeta, lupa preta, letra perfeita a receita...
Recruta da gruta pra luta um petardo potente
Franco atirador, rimador, você me entende?

Maca:
- Você irá ouvi-los dizer que é radicalismo seu
Que a falta de diálogo só aumenta a intolerância
E que estamos promovendo o preconceito ao contrário
Mas não dê atenção aos juízos de estranhos
Pois só quem nos tolera somos nós mesmos
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* No segundo semestre de 2008, G.O.G e eu nos juntaremos ao Sérgio Vaz, Alessandro Buzo, Sacolinha, que já lançaram seus livros, mais a Dinha e Alan da Rosa, que ainda lançarão, todos pela Coleção Literatura Periférica da Global Editora. Os fragmentos acima pertencem aos textos que comporão o meu livro, Gramática da Ira, e o do G.O.G. Lá continuaremos a pelada acima. Contamos com você, para completar nosso time, que é de várzea e, em nosso baba, sempre cabe mais um no nosso time!

Para não dizer que eu não falei das flores - Parte 1

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One Love / Bob Marley


Um só amor!
Um só coração!
Vamos seguir juntos para nos sentirmos bem.

Ouça as crianças chorando! (um só amor)
Ouça as crianças chorando! (um só coração)
Dizendo:-seja grato e louve ao senhor para sentir-se bem.
Dizendo:-vamos seguir juntos para ficarmos bem.

Deixe-os passar com suas observações sujas (um só amor)
Há uma pergunta que eu realmente gostaria de fazer (um só coração):
-havera um lugar para os pecadores desesperados?
Quem vem pra ferir a humanidade
Pelas suas próprias crenças?

Um só amor!
Um só coração!
Vamos seguir juntos para ficarmos bem.

Como era no inicio (um só amor)
Que assim seja no fim (um só coração)
Seja grato e louve ao senhor para sentir-se bem.
Vamos seguir juntos para ficarmos bem.

Temos que manter a união para enfrentarmos o armagedom sagrado (um só amor)
Assim quando o homem vier, estaremos seguros (um só coração)
Tenha dó daqueles cujas as chances são poucas
Pois não haverá como se esconder do pai da criação...

Um só amor!
Um só coração!
Vamos seguir juntos para ficarmos bem.

*Uma destas traduções da Internet (Boa!)

Pra não dizer que eu não falei das flores - Parte 2

sexta-feira, 7 de março de 2008

Quem quer ser Miss Universo?

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Miss Universo* (Miss World)


– Benjamin Zephaniah

A beleza é seu ponto de vista
Vale mais que prata e vale mais que ouro
Se eu digo que eu sou lindo
Significa dizer que a beleza é em mim possível

Você estabelece o que é a beleza
Para as pessoas que você encontra normalmente
Sua beleza pode parecer agradável ou não
A beleza não deixa de ser uma preferência

Minha irmã, por exemplo, é uma bela mulher
Mas ela não quer ser miss universo
Sua estética não tem preço
Vale muito mais que a pérola

Minha irmã é uma bela mulher
Eu diria que ela é um encanto humano
Ela poderia ir embora e perder o contato
Mas ela prefere ficar e lutar

Suas pernas são duras e fortes
Ótimas para a defesa pessoal
Seus passos crepitam com fogo
Portanto não a censure
Portanto não mexa com ela

Ela não desfilaria numa passarela
Para provocar o delírio sexual das pessoas
E você jamais saberá seu peso
Idade ou tamanho do busto

Ela não quer fazer parte deste comércio
Para ser admirada como uma escrava
Esse tempo já passou
Portanto, enterre seu julgamento num túmulo
Pois ela não precisa fazer parte desse mercado
Ela está pronta para vencer de outra forma

O poder da beleza não se disputa
Ela não precisa desfilar para as pessoas
Eu falo das pessoas que julgam você pela aparência
Dando a você uma nota, um valor, e com olhos delirantes
Todos que te cercam olham para você, e julgam sua vida
Através de uma olhada superficial

Minha irmã é uma bela mulher
Mas ela não quer ser miss universo
Sua personalidade não pode ser avaliada por nenhum júri

Minha irmã é uma bela mulher
Ela não precisa de disputas
Você não pode colocá-la junto de outra mulher
E julgar quem é a melhor

Você não pode - finalmente
Julgar o coração de minha irmã
Olhando para os peitos dela

* Livre tradução: NelsonMaca (eu)

Foto 1- Mãe Senhora
Foto 2- Rainha Ginga
Foto 3- Mulheres do Zimbabwe
Foto 4- Lélia Gonzales
Foto5- Tracy Chapman

Poema de GOG

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Carta à Mãe África


É preciso ter pés firmes no chão
Sentir as forças vindas dos céus na missão...
Dos seios da mãe África e do coração
É hora de escrever entre a razão e a emoção

Mãe!
Aqui crescemos sub-nutridos de amor
A distância de ti, o doloroso chicote do feitor...
Nos tornou! Algo nunca imaginavel, imprevisível
E isso nos trouxe um desconforto horrível

Mãe!
Me imagino arrancado dos seus braços
Que não me viu nascer, nem meus primeiros passos
Um esboço! É o que tenho na mente do teu rosto
Por aqui de ti falam muito pouco

Mãe!
Sou fruto do seu sangue, das suas entranhas
O sistema me marcou, mas não me arrebanha
O predador errou quando pensou que o amor estanca
Amo e sou amado no exílio por uma mãe branca



Trecho do Rap: Carta à Mãe África / Artista: G.O.G
CD
: Aviso às gerações


quinta-feira, 6 de março de 2008

Este é só pra você, Negona

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no mínimo o máximo

não acho graça
esta prosa porosa
este poema carta
nascimento dor um parto
reinvenção do norte espaço
peneira velha espelho opaco
telegrama versos fax

eu não acho a fala
forma que te mantenha intacta
eu perco o fôlego eu perco a palavra
eu perco a noção exata
do que se passa
e só me acho
e só em tua graça
desfaz-se distância tempo idade
comportas que nos amparam
esta nova realidade


eu não tenho mais
as palavras ancestrais
creio-as todas findas e alheias
mas a tua cor ainda
agita infla ferve minhas veias

elogio teus apetrechos
me prende os teus traços
nos trechos que ora traço
apesar de pouco aparente afro
até no mínimo, nêga
acho-te, preta, o máximo


Poema - Nelson Maca (eu)
Mulheres: Mãe Àfrica

quarta-feira, 5 de março de 2008

POÉTICAS DIVERGENTES DA BAHIA: um Rap de Lázaro e Dum Dum


Hoje Eu Acordei Mulher!


Hoje eu acordei discriminado / Hoje eu acordei desacreditado
Hoje eu acordei desrespeitado / Hoje eu acordei Mulher


Ouvindo India.Arie, prestando atenção nos detalhes
Pedindo a Oxum que a minha intuição nunca falhe
Sofrendo na boca dos rappers e pagodeiros
Levando regulagem de marido cachaceiro
Filho da fruta descascada entregue na bandeja
A puta pelada num comercial de cerveja
Piranha num rio onde o homem é sempre o boi
Pilantra que esquece que filho se faz com dois
Metralhada, cachorra, piriguete descarada.
Sentada a mãe que fica em casa sem fazer nada
Assim é retratada e idealizada
Dupla ou tripla jornada não recompensada
Boa era Amélia que achava bonito ser humilhada
Gilcélia se ouvisse isso me dava porrada
Acha que é feita sempre pra ceder, se entregar
A roupa que o homem quer ver sempre incomoda pra usar
Não leva a sério o que eu falo, só porque eu não tenho falo
Mesmo assim não me calo, o pinto não canta de galo
Nem pense em me escravizar, você tá fora de moda
Não parto, porque a dor do parto é sempre foda

Hoje eu acordei iluminado / Hoje eu acordei do lado errado
Hoje eu acordei estereotipado / Hoje eu acordei Mulher


Roupa pra lavar, feijão pra cozinhar
Menino pra cuidar, mas sei que eu consigo
Não quero ser vulgar, nem escrava do lar
Só quero aguçar o meu sexto sentido
A bela fera-ferida que se faz presente
Sente que em seu corpo e mente há algo diferente
Percebe uma voz que vem do seu coração
Que diz que quem educa uma mulher educa uma nação
Quem dera saber que aconteceu com você
A sua yabá de frente nesse amanhecer
Queria que você soubesse, então como é que é
Ao menos um dia ter que acordar mulher
Recusar aparecer pelada pra vender produto
Saber que está propícia a ser vítima de estupro
Tudo isso e mais um pouco a sociedade ataca
Chama de piriguete, cachorra, galinha, vaca
Tem gente que não saca que isso me afeta
Tem macho que só quer a fêmea de perna aberta
Me submeter a submissão; isso eu não faço
Só pra lembrar: hoje não é 8 de março

Hoje eu acordei iluminado / Hoje eu acordei do lado errado
Hoje eu acordei estereotipado / Hoje eu acordei Mulher




Bonita como um cabelo crespo bem trançado
Arisca como qualquer bicho que é maltratado
Sempre comparada às coisas inúteis
Incentivada a fazer os papéis mais fúteis
Televisão nem se fala, já é piada
Sempre empregada ou escrava, a mesma palhaçada
O mundo muda, mas cabeça de homem é sempre de pedra
Quando junta numa rodinha então... só rola merda
Estufa o peito pra dizer que fez, que aconteceu.
No meio dos seus arrotar o que não comeu
Faz bem pro ego, um mentiroso é poucas vezes pego
Porque se sente um prego toda vez que eu me nego
E carrego o mundo na barriga e o pé inchado
Não durmo enquanto você vira pro outro lado
Não adianta olhar demais e não prestar atenção
Malhar os peitorais e não fortalecer o coração
Lutar pra ser guerreira e não santificada
A mãe de quem matou Zeferina não é culpada
Beleza e inteligência ainda não são suficientes
Firmeza! As Yabás vão estar sempre com a gente

Hoje eu acordei iluminado / Hoje eu acordei do lado errado
Hoje eu acordei estereotipado / Hoje eu acordei Mulher

Texto/Rap - Lázaro / Dum Dum
Para ouvir :
http://www.myspace.com/opanije

Foto 1- Grace Jones
Foto 2 - India.Arie
Foto 3 - Escrava Anastácia (representação)
Foto4 - Sem fonte

terça-feira, 4 de março de 2008

G.O.G - Poeta do Rap ao Livro

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Uma boa notícia a todos os amigos do Original Rap Nacional


Estou trabalhando num projeto essencial para o registro qualitativo de uma das partes boas do Rap Nacional, ou seja, um livro com letras do poeta do Rap: G.O.G. A obra sai ainda em 2008 pela Global Editora, e fará parte da Coleção Literatura Periférica, que já publicou as obras Colecionador de Pedras (Poemas - Sérgio Vaz), Guerreira (Romance – Alessandro Buzo), 85 Letras e Um Disparo (Contos - Sacolinha). No prelo, encontram-se Da Cabula (Drama - Alan da Rosa) e De passagem mas não a passeio (Poemas – Dinha).
Louco, né!? E tudo nosso!

Além do livro do G.O.G, completa este time aí o meu Gramática da Ira (Poemas).

Eu e o próprio G.O.G já catalogamos e transcrevemos todas as letras do poeta, o que, apesar de trabalhoso, só me deu prazer, reabasteceu minha amizade por ele e me deixou ainda mais admirador do trabalho poético deste Rapper que conquistou seu lugar não só no Rap e no Hip Hop brasileiro, mas na música nacional, sem jamais perder a sua contundência artística, política e moral nos seus mais de 20 anos de movimento, incluindo sua fase inicial de b.boy. O livro conterá composições gravadas nos oito discos da carreira de GOG, além de alguns registros avulsos e participações em trabalhos de amigos e parceiros.

Aproveito, aqui, para lembrar que, mesmo vivendo um momento delicado devido às alternâncias no estado de saúde de sua mãe gravemente enferma, GOG se dedica com entusiasmo neste importante projeto.

Fomos carinhosamente lembrados e convidados por seu responsável direto, Eleilson (Ação Educativa – Global). Ele está ao par do que acontece na cena literária divergente das quebradas do mundaréu.

Quero lembrar também que o reconhecimento e apoio do poeta Sérgio Vaz (Cooperifa) e do escritor Alessandro Buzo (Suburbano Convicto) fortalece meu momento literário. Participar da Coleção Literatura Periférica representa um novo desafio para nossa poética, que, penso, combatem vigorosa e honestamente nesta cotidiana guerrrilha sócio-cultural que vivemos.
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Eleilson, Nelson Maca, Ségio Vaz e Alessandro Buzo

Valeu, G.O.G!
É isso, parceiros,!

Eestou na disposição e cheio de gás para ver este livro nas mãos dos leitores do poeta do Rap!

Nelson Maca - Blackitude.BA

Você já foi à Bahia Preta?


A mãe dos filhos das putas



[...] Minha história é morna, mas não deixa de ser minha tentativa de mostrar nossa miséria material. Apenas busco sentido para a fabulação do texto, esta sim com tentativas de encontrar uma razão de ser fora de si. Daniela e nós nos encontramos num país de proporções gigantescas e de uma história que necessita ser recontada por uma ótica menos comprometida com as tintas da instituição. O estado é destaque nacional no sentido do nascimento, ascensão e permanência das oligarquias, da arbitrariedade, da muito má distribuição de rendas e dos grupos de extermínio dos miseráveis. A cidade é um dos tentáculos deste polvo chamado estado. O país é o Brasil; o estado é a Bahia; a cidade é Salvador, sua capital. O bairro onde Daniela, nossa soteropolitana legítima, que não é a Mercury, entoca seus troços e descansa a carcaça velha de guerra chama-se pura e simplesmente Pela Porco. O barraco, uma peça a mais na arquitetura das humilhações que estruturam a vizinhança. Esta é a história de uma mulher de família num lugar onde nem tudo é carnaval, capoeira e magia. Você já foi à Bahia preta, nêgo? Então vá, pra ver só!! [...]

Trecho de conto Nelson Maca (eu mesmo!)

sábado, 1 de março de 2008

Literatura Divergente

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Elogio à Divergência
... para Sérgio Vaz e GOG: formação de guerrilha

Ao que parece,
é mesmo persistente a tentativa de dividir nossa produção literária em erudita e popular. Mais de uma alma “inteligente” já perdeu o seu lugar no paraíso hierárquico da tradição por tentar transgredir ou negar de alguma forma essa fronteira. Aos olhos de muita gente “culta”, o fato de insistentes pesquisadores e incentivadores da dita literatura do povão tentarem dar um aporte acadêmico aos seus objetos e reflexões, soa desinteressante, alienante, ou, simplesmente, ridículo - ao nível do risível. Aos olhos de muita gente “bem intencionada”, o fato de insistentes pesquisadores e incentivadores da cultura erudita manterem o aporte acadêmico de seus objetos e de suas reflexões teóricas soa como invasão, colonialismo, ou, simplesmente ameaça de diluição – ao nível do apagamento.

Quando as locomotivas dessas tradições absolutas colidem frontalmente, haja estragos!

O que não se tem dado muita atenção é à relação de prazer que deveria mediar o contato de qualquer leitor com seu texto nas mãos. O gostei ou o não gostei. A abordagem que os diversos tipos de leitores estabelecem com seus textos literários pode se dar por três vias: a leitura subjetivida - pessoal; a historiográfica - tradicionalizante; e a crítica - que se pretende científica. A relação íntima com o texto, crítica pessoal, é a mais negada nos ambientes acadêmicos e/ou oficiais. O gostar do leitor não tem voz nem vez. Parece não importar aos “doutores” da literatura a relação libidinosa entre o indivíduo mundano que quer ler, gulosamente, deflorar o texto vadio que quer ser lido diversas vezes sem parar.
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Como ativista das “belas letras” junto à juventude, poucas vezes sinto a presença do prazer da leitura de forma tão abrangente como nos momentos em que boto na roda de leitura os textos “horrendos” das diversas correntes paralelas: literatura negra, maldita, periférica, marginal, letra de música, rap...

A estes tenho chamado, genérica e coletivamente, de Literatura Divergente.

Resgatadas da violência de nossa rejeição apressada, e tratadas como objetos estéticos de fato, descobrimos que as dimensões das literaturas “fora do lugar” ultrapassam os limites do rótulo “marginal” - principalmente quando, assim, são livremente orientadas por seus produtores. Não por rejeição da “palavra poética”, mas por vontade própria de desbravar matagais, escavar resquícios, pichar monumentos e invisibilizar jardins. Liberdade de escolha.

Quando nos damos a chance de conhecê-las, e deixamos que fecundem nossa realidade imediata, em pouco tempo, estamos a discutir nosso corpo, nossa voz, nossa rua, nosso bairro, nossa textualidade, nossa significação. Numa breve entortada de olhos nessas páginas enviesadas, revemos culturas, reformamos mitos, reinventamos religiões, transformamos personalidades, substituímos heróis, alternamos pulsões, inventamos tradições, ampliamos leituras, refazemos traduções.

Deixamos de beijar sapos asquerosos e desejar perecas escorregadias, para que acorde, enfim, nosso “belo” adormecido, que ressurge, revigorado, para nos saciar da familiar ferocidade da literatura de nossa gente.

Em uma expressão: construímos nosso próprio senso de lateralidade.

Na contracorrente do entendimento oficial, nos personalizamos. Aí, sim, começamos a querer descascar as capas sobrepostas de nossos rótulos, para conquistar o estatuto de literatura tão e simplesmente. Universal porque nossa. Voz central das margens. Hegemonia das diferenças. Casa da Tensão. Morada do conflito. A renascença das potências polêmicas que fazem girar as rodas de nossa fortuna literária.

Na busca de auto-afirmação da expressão da sua gente, a balança de mão única da crítica instituída aponta a possibilidade de positividades somente em suas obras - água límpida da tradição, e na sua rede de significados - razões do ocidente. Ora afirmando estar nas suas idéias o valor original - as verdades primordiais - ora “se auto-re-afirmando de novo” na sua plasticidade de espelho espelho meu.

Tudo certo, se acreditarmos mesmo que dois e dois são cinco.

Mas eu plagio o velho pensador cansado quando lembro que a Grécia é que é o berço da poética... grega!!

Qualquer afirmação de conceitos de origem e/ou modelo de beleza está, inevitavelmente, determinado pelos valores do sujeito que o anuncia. Também nos faz perceber que, por trás da aparente obviedade de seus postulados, cada tradição estipula suas convenções e critérios de avaliação.

Por que não nós, porém em divergência?

Quando é arbitrado o conceito de beleza de uma cultura específica como parâmetro universal, para todos, apaga-se as possibilidades de textos e objetos possíveis fora do povo escolhido.

Chamo isso, simplesmente, de avaliação etnocêntrica. Ou fascismo cultural.
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Para um olhar mais aberto aos desrecalques de vozes soterradas de antes, a velha questão do ovo e da galinha deixa de não fazer sentido. Mais produtivo ao artista e ao leitor liberto é saber que o omelete que nos mantém de pé só se faz com ovos em estado palpável. E que o caldo concentrado é feito de galinha assimilada.

Pra mim, por exemplo, poeta negro, por ser do partido da galinha d’angola, o molho jamais será pardo.

Desdobrando nossa “galinhada” etno-filosófica, é preciso negar os juízos de valor embutidos nos conceitos erudito e popular, simples e complexo, alto e baixo, e tratarmos do pertinente diálogo, em tensão, que se dá entre os diversos pontos de vista; ou mesmo as polêmicas intestinas entre representações diversificadas de uma mesma tradição.

São falsas as doutrinas absolutas que constroem e perpetuam quaisquer juízos de valor sobre as produções dos homens, escolhidos e/ou banidos. Porém, falsas são também as forças (tão nefastas quanto!) que buscam diluir a individualidade das diferenças, desejos de alma e gingas de corpo de cada qual na sua. Enquanto discurso prepotente, são plantadas, na ordem dos valores humanos, as noções de alta e baixa cultura, rebaixando as produções simbólicas dos proscritos, esquecidos, marginais, periféricos, malditos, divergentes. Mas, também, me dói no âmago a diluição das fronteiras das especificidades.

De minha parte, em minha divergência poética, não mais regarei esses jardins de rosas funestas e flores do mal que me empurraram goela abaixo.

As águas estão bem divididas, estanques, represadas, mas há os que, como eu, procuram abrir as comportas que as separam, não para que conjuguem sínteses, senão para que se vizualize os conflitos.

Nasci para agitar pororocas: esfarelar a lama tórrida e ondular o lago tranquilo.


Nelson Maca – Blackitude.BA - Março.2008


Pequeno Receituário da Divergência Literária - Tomo I

Foto 1 - Lima Barreto:
Recordações do Escrivão Isaias Caminha
Foto 2 - Luis Gama: Primeiras Trovas Burlescas de Getulino
Foto 3 - João Antonio: Malagueta, Perus e Bacanaço
Foto 4 - Plínio Marcos: Quando as máquinas param
Foto5 - Solano Trindade:
Cantares ao meu povo

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dom Filó e os Movimentos dos Blacks

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.Dom Filó: do Black Rio a LUB

Desnecessário dizer mais uma vez: Dom Filó é o cara!
Quem duvidar que se antene na história do movimento Black Rio, na vitoriosa trajetória da equipe de baile Soul Grand Prix e na da incrível Banda Black Rio, do inesquecível Oberdan.

Na década de 70, o Black Rio atualiza e fortalece as bases do movimento de consciência e auto-estima da comunidade negra do Rio e do Brasil.

Dom Filó sempre é muito atento, com um olho na Negritude e outro na Paisagem Urbana; uma mão na massa e na outra mão uma câmera. Em 2001, reuniu o acervo de sua produtora de vídeo Cor da Pele e deu vida ao projeto Afro-Memória: Uma História em Movimento, com base na trajetória do movimento negro no Rio de Janeiro.

Assim tem sido a vida deste ilustre guerreiro etíope.

Além de ser pesquisador e professor universitário, ainda encontrou tempo para, em 2004, criar a primeira liga de basquete de rua no Brasil – a LUB: Liga Urbana de Basquete, que não pensa o esporte simplesmente como espetáculo ou competição, mas também como plataforma de inclusão social.


Entrevista de Dom filó para a Zulu Nation Brasil

.Zulu Nation Brasil
- Muito pouco se tem registro acerca da história do 'Movimento Black Rio'. Ele era simplesmente uma reprodução musical do 'Black Power' ou existia também um engajamento político como o viés de tudo?

Dom Filó - O Movimento Black Power nos EUA, tinha um viés político no combate à exclusão social e o avanço da elevação da auto-estima da comunidade negra americana. Com a música a seu lado, o negro conseguiu romper as fronteiras da terra do Tio Sam, influenciando vários simpatizantes, em especial os negros mais conscientes e informados. No Brasil ele chegou com uma sinalização positiva chamada Black is Beautiful (Negro é Lindo). Artistas da MPB na época, como 'Marcos Valle' e 'Paulo Sergio Valle', sensíveis aos acontecimentos, compuseram Black is Beautiful, que teve 'Elis Regina' como intérprete. Da mesma fonte que eles se informavam, alguns poucos negros brasileiros se informavam criando suas preferências, multiplicando-as por meio da música 'soul'.

ZNB - E a Soul Grand Prix, teve alguma participação importante nessa movimentação?

DF - No início dos anos 70, o Movimento era tímido entre os grupos que se organizavam como equipes de som. No Rio o Movimento explodiu anos mais tarde, mas em locais como Salvador, São Paulo e Minas a galera já curtia a soul music. A Soul Grand Prix foi a grande referência do Movimento por ter sido a primeira em tudo. A mais organizada estabeleceu-se como empresa para sobreviver à perseguição política da época da ditadura. Com isto ela foi a equipe preferencial e revolucionária do Movimento.
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Para ler a entrevista completa, link:

http://www.zulunationbrasil.com.br/entrevistas/domfilo.html
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.Evento da Blackitude na TV LUB

No final de maio de 2007, Dom Filó nos deu a honra de sua presença no evento Cultura Black na Diáspora: Tributo a James Brow, promovido pela Blackitude: Vozes Negras da Bahia. Uma presença marcante, história viva de nossos sonhos vividos nas pistas dos bailes blacks de todo o país. O evento foi muito louco: lançamento do zine especial James Brown, filmes sobre a cultura black, com destaque para a música, inclusive com um curta sobre Tim Maia, palestras com figuras da estatura de Carlos Moore, que falou de Fela Kuti, mesas redondas com presença de homens e mulheres que viveram aqueles anos em diversos estados do país, como o soulman Lazzo Matumbe, e Coutinho, ativista do Black na Bahia. Teve ainda rap – grafite - break - dj ao ar livre com ativisstas e parceiros da Blackitude. No encerramento: um baile black que balançou o centro histórico de Salvador e que trouxe o irmão Kleber (DJ KL Jay). Um pouco disso, Dom Filó registrou nos quase dois dias que passou com a gente numa semana que prosseguiu sadia, agitada e nossa. É o que mostra o vídeo abaixo, exibido, primordiamente, na TV LUB. Uma grande moral para nós: o reconhecimento interno de um mestre, não em forma de benção ou troféu, mas de registro sincero, e divulgação de nossas ações aos irmãos pretos de boa vontade.
Claro que não citei, acima, a maioria dos participantes na construção do Cultura Black na Diáspora. Depois vou contar melhor esta história, com imagens e sons.
Apenas queria dizer que acreditamos e nos influenciamos pelo que foi feito por Dom Filó e tantos outros no Brasilzão afora e na Bahia Preta.
Da nossa maneira, entendemos o hip hop e as ações da Blackitude como uma das possibilidades de prosseguimento do Black Blahia e do Black Brasil.
. . Grafite: Neuro - http://www.zinenalata.blogspot.com/

Por ora, fiquem sabendo que já se encontra em gestação o II Cultura Black na Diáspora: Tributo a....
Viiiiixe!
Melhor não falar ainda.
Aguardem!!
A terra vai tremer, e o céu mudar de cor:

Blackitude – África – América Negra do Norte - Salvador!

Obrigado Dom Filó, pela história, pela presença e, principalmente pela humildade e paciência!!

Vocês conhecem o homem?
Então, não marquem toca!!

Nelson Maca – Blackitude Ba / Liga Africana Atual

TV LUB - RJ - Mostra a Blackitude.BA

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Voltei: mais anticordial ainda!!

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Mão preta, alma branca

.....................................- nelson maca do livro "Pan África"

Agora que
desfilas de mãos dadas com as crias do senhor a luz do dia
Agora que
te embriagas de luz e torna-te possível em teu banho de luminosidade
Agora que
mergulhas no vale das sombras e reapareces intacto e luminoso
Agora que
quebraste os contornos paradoxais de tua invisibilidade
Agora que
as reparações as ações as cotas derrubaram as comportas a ti voltadas

Resta-te agora
quebrar as barras férreas da jaula que aprisiona a tua alma
Resta-te agora
romper os elos metálicos das algemas que travam o teu espírito
Resta-te agora
rasgar a mordaça incômoda que amarra a auto-referência de tua razão
Resta-te agora
sacar a viseira densa que isola a tua mente de tua cara preta no espelho
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Vai encarar?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ENTREVISTA / Ariel Feitosa: um produtor musical de fato!!

.Ariel Feitosa:
......................Rap Nacional subindo a ladeira

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O Alessandro Buzo
tá arrebentando com um montão de entrevista com pessoas importantes para nós, artistas e ativistas e rueiros inquietos. As entrevistas já chegam a 54 somente em 2008.
Estão distribuídas, gratuitamente, nos blogs abaixo listados.
Só fica desinformado quem quer!!

Para mim, a entrevista com o Ariel Feitosa é uma das melhores que já li com produtores nacionais envolvidos com Rap, mas sem guetizar os sons!.
A entrevista está muito boa!
Ariel é objetivo, com domínio profundo do que diz e sem a mínima arrogância.

Conheci o cara no ano passado.
Viiiiixe - Além de tudo, ele é uma pessoa sensacional!!

Trechos da entrevista:
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"Eu particularmente acho que com pouco equipamento hoje em dia, um computador básico, ou uma MPC, um controlador midi, com um microfone de voz, você consegue fazer boa música, mais tem uma coisa que as pessoas ainda não se tocaram, que a música não esta só na tecnologia, você usa a tecnologia só pra te ajudar, na minha opinião, a pesquisa musical e a musicalidade da pessoa é o que vai fazer a diferença, tenho falado isso bastante com as pessoas com quem trabalho..."

"Uma coisa que precisamos aprender, e valorizar é a nossa própria cultura que é riquíssima em tudo, o BLACK EYES PEAS sampleia nossa música e faz sucesso no mundo inteiro, a AMY WINEHOUSE com a música (You Know I'm No Good) sampleia BARTÔ GALENO, e ganha todos os prêmios possíveis da musica internacional, e a gente ainda paga um pau pros caras, acho que deveríamos pesquisar mais as nossas raízes musicais e buscar a nossa própria identidade musica dentro do Rap Nacional."

"Não vejo mais os grupos falando em fazer boa música, de pesquisar, procurar melhor os timbres, Colocar uns instrumentos tocados, usar músicos pra trabalhar com o Rap, buscar novos rumos, fica parecendo que o Rap Nacional e apenas música de fundo de quintal, é isso não podemos deixar acontecer, usar um instrumental dos gringos e pronto e muito ruim pra nossa cultura."

"CASSIANO é o meu ídolo máximo, escuto todos os dias, toco todas as músicas, tenho todos os Vinis e Cd´s do homem. Meu sonho é fazer um álbum só com músicas do CASSIANO, com a pegada de Rap."

Para ler esta entrevista na íntegra:

http://www.buzoentrevista.blogger.com.br/



Entrevistas feitas pelo Buzo em 2008:

1 - Toni C no Buzo Entrevista
2 - Paulo Lins no Buzo Entrevista e Suburbano Convicto
3 - Dudu de Morro Agudo no Suburbano Convicto
4 - Grupo "Inquerito" no Buzo Entrevista
5 - Escritor Fernando Bonassi no Literatura Periférica.
6 - Grupo "Herdeiros na Missão" no Buzo Entrevista
7 - Graffiteiro BONGA no Buzo Entrevista
8 - Poeta Rodrigo Ciriaco no Literatura Periférica
9 - Poeta Sérgio Vaz no Suburbano Convicto
10- Escritor Sacolinha no Suburbano Convicto
11- Escritor Michel da Silva no Literatura Periférica.
12- DJ PASTOR ANDERSON HIP HOP no Buzo Entrevista
13- Rapper e Militante TERNO no Buzo Entrevista.
14- Grupo "AO CUBO" no Suburbano Convicto
15- Escritor Róbson Canto no Literatura Periférica.
16- Escritor e dono de Sebo Jonilson Montalvão no Literatura Periférica.
17- Rapper Hannah Lima no Buzo Entrevista
18- Escritor Marcelino Freire no Suburbano Convicto.
19- Jornalista e escritor XICO SÁ no Suburbano Convicto
20- Nelson Maca da Blackitude (BA) no Buzo Entrevista
21- Grupo Banka Terror no Buzo Entrevista
22- Grupo Função RHK no Suburbano Convicto
23- Grupo Periafricania no Buzo Entrevista
24- Alexandre de Maio da Revista Hip Hop no Suburbano Convicto.
25- Poeta e rapper Renato Vital no Buzo Entrevista
26- Rapper SNIPER no Buzo Entrevista
27- Poeta Fuzzil no Literatura Periférica
28- Músico Michel Leme no Buzo Entrevista
29- Poeta Augusto da Cooperifa no Literatura Periférica
30- DT TR no Suburbano Convicto
31- FERRÉZ no Suburbano Convicto
32- DJ QAP no Buzo Entrevista
33- Poetiza Raquel Almeida no Buzo Entrevista
34- Grupo Comunhão (Samba Gospel) no Buzo Entrevista
35- Grupo ARTE NA LATA no Buz Entrevista
36- Grupo Z´Africa Brasil no Suburbano Convicto
37- Grupo Livre Ameaça no Buzo Entrevista
38- DuGueto Shabazz no Buzo Entrevista.
39- Cineasta Tata Amaral no Blog Cinema Nacional
40- Escritora Mary do Rap no Literatura Periférica
41- Grupo Premonição no Buzo Entrevista
42- Fotografo João Wainer no Suburbano Convicto.
43- Jornalista Juliana Penha no Suburbano Convicto.
44- Produtor Ariel Feitosa no Buzo Entrevista
45- Coletivo Poesia Maloqueirista no Literatura Periférica
46- Grupo PRETOLOGIA no Buzo Entrevista
47- Jornalista ELIANE BRUM no Suburbano Convicto
48- Grupo Rosana Bronk´s no Buzo Entrevista
49- King Nino Brown no Suburbano Convicto.
50- Rapper e escritor Walter Limonada no Literatura Periférica
51- Grupo "Atitude Feminina no Buzo Entrevista
52- Grupo "Relatos da Invasão" no Buzo Entrevista
53- Rapper Carlão - Guerreiro da Leste no Buzo Entrevista
54- Negra Li no Suburbano Convicto
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Valeu Ariel, seus trabalhos dão peso às suas palavras, irmão!
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Valeu Buzo, e continue dando espaço pra figuras como Ariel: talentoso de fato.
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Nelson Maca - Blackitude BA / Liga Africana Atual
// Postado em 26-02-2008 \\

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

NÓIS FOI, MAIS VÓRTA


Salve Parceiros,

por questões várias, mas, principalmente, ausência momentânea de Internet em casa, tô meio devagar (quase parando) na movimentação do Blog, mas logo volto a milhão!!

Com Respeito,
Nelson Maca - Blackitude-BA

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

BAHIA: A MATANÇA CONTINUA...


VILMA REIS*
MANDA SEU RECADO AO GOVERNADOR DA BAHIA, JAQUES WAGNER, DO PT


Djair Santana de Jesus, negro, 16 anos, estudante do ensino fundamental, com mãe negra chefa de família, foi assassinado pela Polícia Militar da Bahia, na comunidade do Alto da Esperança, na região das Sete Portas, sob a acusação de ter trocado tiros com os policiais da ROTAMO. As mulheres que protestaram a sua morte foram covardemente espancadas e sua tia, dona Jaciara Santana, foi baleada nas nádegas. Toda a comunidade presenciou, com medo e tristeza, o sorriso sinistro e jocoso do policial atirador. Mais uma ocorrência rotineira em Salvador, segunda maior cidade negra do planeta, onde ser negro ainda é sinônimo de perigoso, indesejável, fora do lugar e, fundamentalmente, descartável.

Acompanho as ações das polícias na Bahia, desde a Operação Beirú, em 1996, quando o chamado "modelo de tolerância zero ao crime" foi a política de segurança pública dos senhores dos Aflitos, da Piedade e do CAB. Doze anos depois, com o comando da Polícia Militar nas mãos dos mesmos agentes do governo anterior, registramos a ocorrência de 1.307 assassinatos de cidadãos, sendo 96% das vítimas negros, 78% com o envolvimento direto da "polícia do Estado" no ano de 2007, a maioria em Salvador e na sua região metropolitana.

A pergunta que os cidadãos e as cidadãs negras da Bahia fazem a Jaques Wagner, governador de um Estado com 77% de habitantes negros é a seguinte: o que Vossa Excelência fará com a pilha de cadáveres negros? Com esse questionamento, a nossa intenção é a de não morrer em silêncio, de bruços e com as mãos na cabeça, exterminados pelos tiros de misericórdia do Estado.

Lutamos por mudanças na Bahia, onde, historicamente, uma minoria vem desenvolvendo uma cultura violenta de controle racial em todas as instituições, buscando dominar a tudo e a todos, sob o império do racismo institucional, que estrutura todas as relações nos Poderes públicos. Desse modo, os brancos poderosos definem o lugar do negro e o do branco e recorrem ao braço armado do Estado, para manter a maioria negra em "seu" lugar, o território da subserviência que nunca aceitamos.

Aprendemos com as nossas avós a não aceitar migalhas, a não entrar pelas portas de serviço e a não falar baixo diante dos racistas. Disso depende a nossa continuidade. Por isso, pensar e agir "fora da zona de controle da Casa Grande".é nossa missão, é o nosso destino! Essa memória ancestral e a nossa resistência nos protegem do massacre físico, cultural e mental.

Damos bom-dia aos Direitos Humanos, pois os queremos com eqüidade de raça, gênero e diversidade afetivo-sexual, com liberdade religiosa e justiça agrária, com a garantia dos direitos das populações quilombolas, das mulheres negras e da juventude negra do campo e da cidade. Mas para que isso se concretize, é preciso que o Governador Jaques Wagner, exerça um real controle sobre a zona de terror e a política de intolerância racial que as Secretarias de Segurança Pública e de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos continuam a implementar em nosso Estado.

A negritude de Djair está em cada um de nós, portanto a linha que separa cada pessoa negra da possibilidade de ser assassinada pelas polícias é muito tênue. Não queremos mais seminários para diagnosticar o óbvio, nem apenas cursos inócuos de formação em Direitos Humanos para policiais, Governador! Sua Casa Civil deve convocar as Secretarias responsáveis e instituir um diálogo verdadeiro com a sociedade civil negra, para buscar políticas públicas que se contraponham, radicalmente, à atual política de extermínio.
É da responsabilidade de Vossa Excelência vir a público e declarar de forma inequívoca que o seu governo não vai mais tolerar o assassinato da população negra; não vai mais aceitar o disparo de balas em ato de misericórdia; não vai mais admitir as lágrimas das mulheres e das famílias negras pelo aniquilamento de seus filhos, maridos e irmãos apenas por serem negros.

Só assim acreditaremos em Direitos Humanos. Só assim acreditaremos nesse governo como o que transformará a Bahia em uma "terra de todos nós" e não somente a de todos os brancos. Como Vossa Excelência já se pronunciou em falas públicas "o diabo mora nos detalhes". Queremos lembrar que o racismo também.

Salvador, 22 de janeiro de 2008

Vima Reis é Socióloga, Mestra em Ciências Sociais FFCH-UFBA, Coordenadora Executiva do Programa CEAFRO – Educação e Profissionalização para a Igualdade Racial e de Gênero do CEAO/UFBA e Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia.

Lázaro, MC do Opanijé, manda seu recado

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"Não me chame de irmão!"

Ontem um cara que eu admirava muito me disse esa frase com toda a veemência. Não imaginei q fosse ouvir isso de alguém novamente. A última vez que tinha ouvido essa frase foi há anos atrás, quando encontrei uns vizinhos que tinham vindo de um culto evangélico e sabiam q eu estava começando a frequentar o terreiro no qual hoje sou Ogã suspenso (engatinhando ainda...), o Ilê Axé Oxumarê.

Até aí nada de anormal, afinal de contas a maioria das igrejas evangélicas construiu sua história malhando as religiões alheias, principalmente, as de Matriz Africana. Só que o que espantou foi ouvir essa frase de gente de meu convívio, que eu achava que estava pronta pra me defender das "bruxas" que rolam nessa cidade bela e traiçoeira. Gente de movimento negro ou "movimentos negros" ou "que movimenta aos negros", etc e tal... No começo achei engraçado, porque apesar de estar afastado durante algum tempo de movimentações, palestras, debates e afins, eu admiro e apóio (da forma que me é possível) o trabalho q vem sendo feito pelas organizações negras (sérias) dessa cidade. Mas aí me bateu um pensamento:"Como é que eu comecei essa zorra toda mesmo? Ah, sim! foi fazendo rap e me reunindo com uns parceiros numa sede de entidade negra! Que é que tou fazendo aqui? Fora disso tudo, afastado desse convívio, dessas pessoas, dos holofotes que elas trazem consigo e tentando sobreviver numa 'empresa de brancos' como eles mesmos definem?".

Na mesma hora, como um vídeo clip, me passaram pela cabeça centenas de imagens: entre elas a de camarada todo enfeitado de contas, batas e trançados num show de rap na Sussuarana ou no Cabula, (não importa) sem nem se preocupar com quem tava tocando ou não e esperando uma brecha p subir no palco e gritar palavras de ordem, pois estava lá para ser visto e não para ver um bando de pivetes falando em cima de uma batida. Outra de um outro rapaz também cheio de indumentárias "afro" fazendo piadinhas ao passar por uma menina negra que estava de mãos dadas com um cara (mais ou menos) branco , mais uma visão rápida de uma ou outra militante... vamos dizer asim... fora dos padrões da Globo, na mesa de um bar falando sobre a "exploração sexual da mulher nas propagandas de cerveja" e mandando em seguida descer mais uma da mesma marca que trazia uma atriz (vixxx!!!Dentro dos padrões, não só da Globo!!!) Seminua no cartaz. Aliás, marca essa que um mesmo amigo (amigo mesmo!) também se encharcou no carnaval o ano passado gritou p outro: " - Vai beijar sua branca pra lá!", acrescentando mais uma cena estranha nesse meu vídeo clipe.

Por incrível que pareça, compreendo e até apóio (também da forma que me é possível) todas essas atitudes. Afinal de contas (no pescoço, é claro), vejo todos como irmãos se não política, religiosamente com certeza. Mas sei o porque do meu afastamento e sei o porque vivo acompanhado os fatos a uma "distância segura". A gente tenta se equilibrar de tantas formas pra sobreviver, que não dá pra acumular funções nesse circo que amamos e chamamos de cidade. Muitos partilham da minha opinião, outros preferem ser mais radicais e passam sem pensar duas vezes para o outro lado, ou os "outros lados" se preferirem, mas independente disso continuo amando e admirando a atitude daqueles e daquelas que fazem as coisas acontecerem e, mesmo estando nos bastidores, mesmo sem reivindicar as luzes da ribalta pra si, trabalham e trabalham sério para o bem de nosso povo negro já saturado de tantos estereótipos. Quero, mas quero muito mesmo, que nós negros sejamos destaque pelo nosso trabalho, pela nossa criatividade e inteligência que temos de sobra e conquistemos respeito com ou sem holofotes nos cegando, pois os assassinos agem no escuro. São covardes, mas infelizmente guardam uma grande vantagem sobre nós.
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"Eu sou aquele que esnoba sua fama, eu sou aquele que tenta ser diferente. Organização Popular Africana Negros Invertendo o Jogo Excludente." Axé

Opanijé
O que se pode esperar quando se junta RAP, Consciência Negra e os Samplers mais inusitados? Um grupo q não poderia ter outro nome: Opanijé. O grupo de RAP Opanijé (Organização Popular Africana Negros Invertendo o Jogo Excludente) surgiu no final de 2005, tendo como integrantes, Lázaro Erê (voz e letras), Rone Dum-Dum (voz e letras) Dj Chiba D (toca-discos) e Bell Prata (percussão. Com a proposta de fazer um estilo próprio de RAP, com letras que exaltam a cultura negra e a ancestralidade africana, a banda une o que há de mais moderno nas tendências musicais, como: samplers, efeitos e batidas eletrônicas ao que temos de mais tradicional na cultura afro-baiana, como o uso de berimbaus, instrumentos percussivos e cânticos de candomblé, transformando, fé, aprendizado, amizade e consciência em música.

"Não importa o que você pensa. Não importa qual é a sua crença.
Quem sabe a cura, nunca teme a doença." Axé!!

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1719916

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

ENTREVISTA / Nelson Maca

..
- O Maca militante é um e o professor é outro ?
- Não! Sou um só em tudo! Levo a universidade para o hip hop e o hip hop para a universidade. Levo a questão da negritude para tudo o que faço. Não há tréguas: ao meu modo, sou militante sempre que estou consciente. Assisto novelas, filmes, clipes com olhos de militante... Não tem como separar as coisas. Educo minhas filhas de alma e corpo inteiro. Ser militante define minha amizade com o GOG, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo.

Familia?
- Uma alegria. Minha reserva ecológica de esperança e crença (em tudo). Nunca foi contragosto nem sacrifício estar com minha esposa e minhas filhas. Levo minha família para todos os lugares e beijo minhas pretas em Praça Pública.

- Você é um curitibano ou um baiano?
- Eu sou um negro africano.


Não, não é vaidade nem egocentrismo além do limite.
Ainda não entrevistei a mim mesmo para o meu próprio Blog! rsrsrs

Apenas respondi umas perguntas ao parceiro Alessandro Buzo, para o Blog


www.buzoentrevista.blogger.com.br

Dá uma passada lá, acho que ficou bacana a entrevista!!

Aproveita e visita também os outros blogs do irmão Buzo, ele é fera no formato e nos assuntos!
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www.suburbanoconvicto.blogger.com.br

www.literaturaperiferica.blogger.com.br


No mais, tudo normais!!

Nelson Maca
2008 - Ano da Gramática da Ira