Domingo, 12 de Julho de 2009

Pé de bode!

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Gramática no tranco!

Salve família, amigos, parceiros, anônimos e pseudônimos...

depois daquela quebradinha básica de minha máquina, tô de volta, tá? (rsrs)... Com um computador meio imsprestável ainda, mas que dá pra retomar o blog por enquanto... muita coisa aconteceu nesses dias, mas vamos com calma, né?

Então tá...

Nelson Maca - Blackitude: Vozes Negras da Bahia

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Correio Siber - Nagô

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A Nelson MaKa

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Irmão,

o campo nosso é esse, esse a qual estamos caindo uns e levantando outros, mas é chegada a hora de ausentar a queda. Separados somos alvos fáceis e se a luta é a mesma então somos uma, uma legião em campos dos pensamentos libertários, da arte como música despertando o subconsciente adormecido pelas canções de ninar capitalista.

O campo dessa batalha é nossa terra, e nossa gente não há de ficar somente vitimadas. Temos que debater sim, tem de acirrar o diálogo na questão da educação, da violência, dentre outras tantas deselegâncias que somos vítimas. Estou ai pro diálogo, pra ações...

No aprendizado nosso de cada dia e na disposição da noite.

Admiro tua escrita e tua pessoa, vinda a mim pelo Gog e pelo pouco tempo aproveitado por mim em te observar, mas como bom observador, minha admiração por você é direta, ou melhor, é esquerda, esquerda do coração. Gog, é nosso, nosso em coletivo...um ótimo amigo e um grande falante ao som do despertar de minha mente.

Cada palavra tua, Maka, tens minha reciprocidade.

Forte abraço meu amigo.


por Crônica Mendes


Fonte: http://www.cronicamendes.bogspot.com/

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A Crônica Mendes



Salve Salve
Crônica Mendes,

antes de tudo, depois de mais nada, muito obrigado pelas palavras a mim dedicadas, Irmão. Gostaria, por conta própria, e em exercício de coletividade, de estendê-las a todas as pessoas que se entrecruzilham em nossas demandas de remanescentes dos Guerreiros Egípcios das primeiras eras negras, fortes e livres de toda humanidade conhecida. Nós, que nos reconhecemos reminiscências dos etíopes, que nos queremos Imperadores de nós mesmos, Negus da reabertura de nossos caminhos.

Cada encontro, cada chegada, cada aliança estabelecida amplia nossa força, amplia nosso grupo, fortalece nosso fronte; aliás, por ora, única via em possibilidades de superação dos conflitos do nosso povo.

Não digo de um ou outro de nós, assinalado pelos maus espíritos que nos cercam, para adentrar os castelos e sentar à mesa dos opressores como aqueles porcos da Revolução dos Bichos. Falo da cumplicidade de nós mesmos - sem precisar trocar, alugar, vender nossa verdade anterior, nossa virtude interior. Sem trocar cabeças, sem alugar mãos, sem vender nosso sexo e nossa música, nossos braços e nossa alegria, sem almejar as migalhas que sempre nos oferecem em troca de confissões cordiais e delações premiadas - e que muitos aceitam galantes.

Crônica, tenho escrito sobre isso tudo... Parece papo de escritor maldito, eu sei, mas minhas palavras me maltratam! Minha poética quer mexer nessas coisas impróprias. Não quer deixar de apontar o inimigo de fora, não!, mas também procura mexer nas interpéries por dentro do grupo, nas trovoadas e chuvas fortes de nosso próprio corpo individual.

É foda admitir, mas uma parcela do problema reside em nós mesmos. O trabalho maior no combate às forças que fundam e querem eternizar nossa mutilação exige que olhemos, também, para dentro de nós: no grupo e na alma de cada um. Frantz Fanon já apontou os caminhos de nossa mutilação de exilados na própria terra e nossas peles pretas de almas brancas.

Por isso devemos aprender a dizer NÃO...

Porque, cada vez que esboçamos uma reação menos adocicada e complacente (que nunca será - de fato - reação!), eles nos estendem uma nota de cem, a capa do jornal, um minuto na tv, um prêmio especial, e até mesmo aqueles amores impossíveis!

E nossa arte vai por água abaixo, vai para o ralo, vai para o mercado com chances enfim, mas não mais com a nossa cara, com a nossa finalidade. Vai, sim!, com as máscaras da cara do consumidor.

Não é fácil, Irmãzinho!

Por isso nossa arte nos palcos, nos livros, nas telas, nos muros, no solo, no corpo, deve ser tão bélica como a tropa no fronte do "campo de confronto". Para mim, muitas vezes, uma arte sem chance, eu sei; mas, para mim, ainda assim, muitas vezes, uma arte sem negociação, eles sabem!

Sei que você me entende, Crônica.

Sei que você sabe até aonde vai os fatos e até aonde vai a poética e a retórica do que escrevo. Sei também que você sabe que, em mim, tudo tem o mesmo peso e valor: a dor pode ser bela, a beleza pode ser triste, a vida pode estar fora do texto, a morte pode gerar versos. Mas não há fronteiras no todo. Não escrevo porque vivo; vivo intensamente no que escrevo! E escrevo como Preto Rebelado Descendente de Escravos Fugidos! Escrevo tudo isso em maiúsculo!

Enfim, lendo seu texto a mim dedicado, resolvi responder como fiz acima! Sem reivindicações ou uma pauta antecedendo a escrita. Apenas aberto aos desdobramentos concretos que brotam dos encontros na luta.

Também lembrei muito de um poema meu (longo) que sairá no meu futuro livro impresso (pronto na gaveta), "Gramática da Ira". Vai aí um fragmento que nos pertence e muito obrigado pelo reconhecimento da minha pessoa e dedicatória do seu texto.


A Caminho de Palmares

“Caravanas a caminho de Palmares se cruzavam na trilha,
se juntavam e seguiam lado a lado.
Ai de quem se metesse a tentar impedi-los de seguir em sua caminhada...
Eram varridos como ciscos incômodos e mal quistos!”


One People! one love!

(Visitem: http://www.cronicamendes.bogspot.com/ )

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Nelson Maca
Exú Tímido Paradoxal Sem Síntese Possível

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

correr com lágrimas nos olhos não é para qualquer um

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[...]

É preciso viver malandro
não dá pra segurar

a cana tá brava a vida tá dura
mas um tiro só não dá pra derrubar

correr com lágrimas nos olhos
não é pra qualquer um


mas o riso corre fácil
quando a grana corre solta

[...]

(Bernardo Vilhena - Vida Bandida)

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Foto de Eduardo Dias Gontijo

correr com lágrimas nos olhos definitivamente não é pra qualquer um

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[...]

Aqui
com a mentira saindo do bangüe das trevas
foi-me quebrando a doçura da memória

[...]

nas minhas amargas lembranças de moleke de engenho
que não fui escrito

[...]


(Nelson Maca - Moleke de engenho)


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Notícia Feliz

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uma foto não sei de quem que vi
por aí
foi que me deixou assim

querendo acreditar que
deve existir alguma notícia feliz
para mim!


(Nelson Maca*)
*de quando pensava que seria somente poeta


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O imitador de palavras!

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O imitador



Um homem resolve olhar para dentro de si!


De tanto olhar pra frente, resolvi olhar pra trás.
Tudo vi, mas, no fim, não vi nada mais...

De tanto olhar pra direita, resolvi olhar pra esquerda.
Tudo vi, mas, no fim, não vi nada mais...

De tanto olhar pra cima, resolvi olhar pra baixo.
Tudo vi, mas, no fim, vi nada mais...

Cansado de olhar pra fora
Um homem resolve olhar pra dentro
De si!

Cansado de perguntar as respostas
Um homem resolve responder as perguntas
Enfim!


(Nelson Maca)



Ou então (um poema de verdade)


eu, hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara.
só existe um segredo.
tudo está na cara.


(Paulo Leminski)


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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Incondicionalmente Feliz

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Na real mesmo, não parece morte, é como se meu passado renascesse em mim! Incondicional! Agora consigo me ver a mim mesmo de longe - sem me apagar aqui nem lá. Sei que a felicidade existe em algum lugar, porque fui feliz! Muito Feliz! Distraidamente feliz! Incondicionalmente feliz!

Distraídos, sorriremos!
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Confederação dos Nagôs

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Uma semana bacana.

Conversas positivas com dois negões bem bacanas. Uma amizade nova, primeiro contato: Zezzynho da LUB, Rio de Janeiro; uma aproximação enfim: DJ Sankofa, Gana-Bahia.

O Zezzynho foi-me anunciado pelo Dom Filó, grande irmão carioca, Mestre Maior do Movimento Black Soul. Fiquei na expectativa e não deu outra, um cara pra frente, planos futuros Blackitude + LUB - Rio.

O Dj Sankofa saco há algum tempo, vejo sempre nas ruas da Bahia Preta, trocamos cumprimentos afro-cordiais. Só que agora sentamos e conversamos longamente - e na hora certa. Resultado: planos imediatos e futuros Blackitude + Projeto Sankofa Pelourinho.

A roda anda. Logo vou detalhando tudo aqui, pra vocês acompanharem e, se se sentirem motivados na boa intenção, colarem com a gente.

Só pra não ficar na pressão:

1- Com Zezzynho, comecei, final e efetivamente, ligar os parceiros do Brasilzão, para articulação da reunião inaugural da Liga Africana Atual, a nossa Confederação dos Nagô, em novembro na Bahia.

2- Com Dj Sankofa, já fechamos uma ação concreta "Sarau Bem Black: Nelson Maca & As Rainhas + Dj Joe + Poetas Convidados", em setembro, todas as quartas no Pelô.

Logo logo, detalho tudo aqui!

Confiante na Reunião da Grande Família,

Nelson Maca
Da Nave-Mãe Bahia Preta

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Domingo, 28 de Junho de 2009

O Poeta Operário

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O poeta operário



Poeta operário e compositor
Repórter cronista do seu dia-a-dia
Que canta a tristeza e fala a verdade
Compondo o progresso e também poesia
Pinta o sofrimento maior que o salário
E nem com talento vê compensação
Isso é que é um povo bom
Mesmo passando fome, ao invés de revolta
Faz brotar no momento a mais nova canção
E o poeta é quem vai levando a cruz
Ganha mais quem nada faz
Menos ganha quem produz

Alegrando a multidão
Que se embala em euforia
Vai cantando e no refrão
Bom humor, filosofia
Só sucesso não consola
E o grosso que vai para o bolso
Do ECAD em parceria

E o poeta é quem vai levando a cruz
Ganha mais quem nada faz
Menos ganha quem produz
E na carreia final pra ver a música editada
O compositor fica mal, mesmo sendo a mais tocada
Pois co o direito autoral
Não vai ter vida folgada
Os cartolas mandam tudo
E o compositor fica se nada


:: Artista: Bezerra da Silva
:: Álbum: Eu não so santo
:: Compoistores: Romildo – Ney Alberto

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

MJ - Ingenuamente Assustador

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"Certa vez um jornalista perguntou a Gandhi se a luta dele era política ou religiosa e ele respondeu q qm acha q religião nada tem a ver com política é pq não entende nada de ambos.

Faço minhas as palavras dele qdo me 'refiro' a MJ.

Quem acha q Michael ñ tem nada a ver com o hip hop é pq n entende nada de um nem de outro. Michael me remete a Quincy Jones, q me remete Melle Mell, Furious Five, etc.. Sem falar no break que ele popularizou de tal forma que muitos pensam ser criação dele.

Me lembro como se fosse hje da brigas de gangues q ele tentava retratar em clipes como "beat it" quase 1 década antes do NWA.

Alguns preferem lembrar dele como aqele senhor franzino, pálido e frágil, satirizado por Hélio de La Peña. A esses eu recomendo ouvir mais música e Assistir menos Casseta e Planeta.

E aprender sobre o Michael q nós conhecemos: liderando o quinteto negro que foi, sim, revolucionário por ser ingenuamente assustador"


Lázaro Erê - Grupo Opanijé

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Lázaro,
obrigado por ter me enviado algumas das palavras que me estão faltando!!

Nelson Maca

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Tristeza!

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Quando éramos Reis...

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Por que os heróis negros morrem tão cedo?


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“Sou muito agradecido por ter trabalhado com
o rei. Ele foi um presente dado a este mundo,
uma luz brilhante e não ficaria surpreso
se o mundo parasse de girar amanhã.”

Will.i.am, rapper (Fonte: G1)

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Parabéns Sérgio Vaz

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Parabéns, Sérgio Vaz, pela semana de aniversários!

- E aí , Poeta, algum presente?

- Ganhei de aniversário este presente de grego do cartunista F. Pontes

- É a tua, cara, Cara!

- Tá bom... Maca.

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- Salve a Voz de Sérgio Vaz

Quando o G.O.G. me apresentou ao Sérgio Vaz, não foi apresentação, foi formação de guerrilha: nós três e a rapa toda que faz e que curte a Blackitude, celebrando a vida na Bahia preta. Testemunhei, corpo presente, a força maior de sua arte: o pensamento a mil, os pés no chão e um sorriso do tamanho dos lábios! Palavras retas. Um poeta nosso. Tal a pessoa, sua poesia está despojada de ornamentos inúteis. De casca de erudição. Estética e humanamente, dilui o limite entre a realidade e sua representação, a vida e o verbo, a verdade e a beleza. No campo de batalha cotidiano, um poeta que nos comenta - que nos interessa. Cooperifados pela nossa luta e nosso sonho, enfim, anulamos os atravessadores. Sérgio Vaz é poeta, e, como poeta, sabe ser simples. Como simples, sabe tecer o coletivo. Como coletivo, sabe ser nós. E, como nós, faz-nos grandes ao seu lado. Se você, leitor, quer saber mais do que ora comungo, leia esse incansável colecionador de pedras. Conheça esse ladrilhador de imagens. Eu, que não tive a felicidade de escrever O milagre da poesia, ou o “Bruno matador” (Pé de pato), sinto-me, poeticamente, vingado por Sérgio Vaz. A tempo: em nossa humanidade tão desumana, ser simples é muito complexo.

Deus para entender?

Então, SaravAxé e BoAventura!!


Nelson Maca

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Poeta x Poeta

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Caros Amigos e Parceiros de Militância,

ultimamente, tenho recebido, pela internet, ataques muito sérios e enfáticos contra a pessoa do poeta e ativista José Carlos Limera.

São palavras assinadas pelo também poeta Geraldo Maia - em reação ao parecer negativo de Limeira a um projeto seu com fim de captação de recursos voltados à realização de evento literário.

Como se sabe, José Carlos Limeira está conselheiro de cultura do Estado da Bahia. Assim como Geraldo Maia, até recentemente, desempenhou a função de Gerente de Literatura no Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Fundação Pedro Calmon, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Numa sequência de afirmações graves feitas, publicamente, sobre José Carlos Limeira, escreveu, agora, Geraldo Maia:

"O projeto, com um novo nome, Festival Latino AfroAbyayalano de Poesia (Flap), é apresentado ao Fundo de Cultura e é novamente detonado, dessa vez por causa de um parecerista que, apesar de se dizer poeta, preferiu abandonar a poesia para exercitar o fascismo, o racismo, o ódio, a intolerância, o preconceito existente entre facções do movimento negro local."

O nome de José Carlos Limeira não aparece literalmente, mas, para quem acompanha a contenda, está muito evidente. E, como se vê, as afirmações contundentes do poeta Geraldo Maia são estendidas para "facções do movimento negro local".

Pena não estarem nominalmente expostas, pois seria benéfico ao debate!

Particularmente, não tenho nenhum conflito com Geraldo Maia. Aliás, reconheço tanto a sua importância histórica como a dos Poetas da Praça, grupo que ele ajudou a fundar e que, há trinta anos, participa do cotidano cultural de Salvador. Com alguns dos poetas do grupo, a exemplo de Douglas de Almeida e Zeca de Magalhães, estabeleci amizade de fato - inclusive.

Apesar de ser amigo de José Carlos Limeira - e também admirador e pesquisador de sua poesia - tentei ficar neutro nesta demanda. Silenciei-me, com mais convicção ainda, depois da defesa que faz -do caráter e lisura de José Carlos Limeira - a nota esclarecedora do Professor Ubiratan Castro de Araujo, Presidente da Fundação Pedro Calmon, que também circulou, amplamente, pela internet.

Mas as palavras vermelhas acima são graves demais quando aplicadas a um companheiro velho de luta. A um poeta que, ainda na minha adolescência, dava um tranco no "sossego" racial de minha alma conformada. Isso tudo sem perder a classe que exige o texto que se quer poético. Eduquei-me para o enfrentamento do conflito negro brasileiro, dentro e fora de mim, também pelo programa de lutas que orienta os poemas de José Carlos Limeira.

Por isso não consegui mais me calar! Tudo reflete um pouco em mim!

Diante do exposto, Caros Amigos e Parceiros de Militância, pergunto:

- Não é dada a hora de nossa manifestação pública e coletiva, ponderando politicamente - a tempo - esta demanda?

Grato,
Nelson Maca

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Valete - Nada a Perder!

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Nada a perder - Valete

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Ontem pequenos rebentos, hoje corações sangrentos
putos sub-16, as ruas são os seus apartamentos
vêm daqueles bairros de má-fama, bairros problema
onde repórteres do drama não conseguem desligar a câmera
aqueles bairros onde toda a gente reza, mas nunca se vê um sinal
só por baixo da pirâmede é que tu vês a classe social
os bairros onde se faz caridade e onde se nega oportunidades
os bairros onde as mulheres passam a vida na maternidade
putos comercializam todas as drogas mas no corpo só entra wella
adora a escola, há lá bué de clientela
roubam carros, casas, lojas com toda a gente a vê-los
ilícito porquê ?! as ruas são deles
é melhor temeres, evita qualquer confrontação
e é melhor saberes que esses putos não tremem com armas na mão
quando aparecem na tua zona, ninguém sai de casa no serão
só as sirenes é que fazem os putos sair do quarteirão
mas eles sabem que respeito nas ruas não é só para quem tem testículos
também é necessário, aparecer na esquadra para encher currículo
isto é a legislação das ruas e fraquejar é sacrilégio
é difícil confiar em alguém, ter amigos é um previlégio
o povo chama-os de delinquentes, marginais, inconscientes
eles sabem que não têm futuro, mas eles têm o presente
e vão sempre vivendo o momento, com a mente, doente ou sã
e pensam no dia de amanhã, só amanhã

sistema segrega e gera putos de corações sangrentos
nada a perder para quem nesta vida, vive ao momento
mal amados da nação, produtos de segregação
delinquentes puros, largam ódio em qualquer chão

sistema segrega e gera putos de corações sangrentos
nada a perder para quem nesta vida vive ao momento
mal amados da nação, produtos de segregação
delinquentes puros, não tremem com armas na mão

putos entiados do sistema têm na rua o corpo docente
muitos nunca viram o pai, porque a mãe não fodia bem o suficiente
pai ausente, mas estilo é o mesmo são pussy - dependentes
sentem amor por todas as chicas, desde que haja uma cama presente
dizem-lhes vá, sente, sexo de forma eloquente
quando elas vêm de barriga cheia, eles são inocentes
são muitas adolescentes com gravidez que não sabem a origem
lá nos bairros, aos 14 são lésbicas, se ainda forem virgens
putos seguem a caminhada, sempre com a polícia na interferência
e sempre que saiem da esquadra, dão entrada nas urgências
não é sarcástico dizer, que isso é pouco ou quase nada
basta um guarda com enxaquecas para perderem o corpo na esquadra
arriscada vida de risco, sempre acidentada
a morte bate à porta todos os dias até lhes apanhar em casa

aos centros de reinserção social, eles agradecem tamanha ajuda
lá podem comer, dormir e aprimorar técnicas de fuga
são esses putos que durante a noite fazem te ter mais 5 pernas
são eles que fazem cair ministros da administração interna
boas intenções não servem, para quem tem de sobreviver
eles querem tudo, não têm nada a perder
depois é ver a nossa oligarquia, erguer vozes contra esses chavais
que a sociedade marginaliza, e não quer que sejam marginais.

sistema segrega e gera putos de corações sangrentos
nada a perder para quem nesta vida, vive ao momento
mal amados da nação, produtos de segregação
delinquentes puros, largam ódio em qualquer chão

sistema segrega e gera putos de corações sangrentos
nada a perder para quem nesta vida vive ao momento
mal amados da nação, produtos de segregação
delinquentes puros, não tremem com armas na mão.


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Precisa comentário!?

Nelson Maca.

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Hamilton Borges Walê Anuncia!

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Iº encontro popular pela vida
e por outra segurança pública!


"Assumimos o desafio de sediar e organizar o
Iº encontro popular pela vida e por outra segurança pública

Fora do eixo, sabemos, não acomodados pelo conforto das conferências governamentais. Amparados por principios militantes de lutar e não permitir que o governo paute nossas demandas. Mas principalmente por que estamos morrendo e esse "estamos " é exatamente com esse sentido. Em 08 dias enterramos duas pessoas conhecidas e vitimas da Temida Romdesp (polícia militar que mata mermo).

Faremos o encontro nos dias 13 14 15 e 16 de agosto em celebração ao agosto negro marcando o martirio dos sediciosos alfaiates (revolta dos buzios) que morreram por sonharem em liberdade"

Hamilton Borges Walê

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Exu Tímido x Ogum Guerreiro

Todos vocês sabem da minha verdadeira admiração pelo Hamilton Borges Walê que, agora, reitero aqui!

Uma admiração sem contratos de troca ou conveniência, sem abandono de convicções teóricas, táticas, diretas ou estratégias. Sem retóricas ou representações, primeiramente, os descaminhos encruzilhados a Bahia Preta nos irmanou!

Ainda assim, o trabalho que ele realiza com tamanha convicção e destemor, deixa-me um tanto quanto reticente comigo mesmo, por não partir para o arrebento concreto.

Mas sei que tenho, reconheço e respeito cá, também, a minha natureza, a minha forma de atuação no Grande Conflito Negro que nos apresentou Frantz Fanon; que me demonstrou, didaticamente, Luís Orlando da Silva, e, agora, o incendeia em mim Carlos Moore.

Que o encara, cara a cara, nas ruas, Hamilton Borges Walê.

O trabalho cotidiano na reconstrução de nossa abstração fragmentada e de nossa subjetividade esilhaçada, às vezes, quer me soar infecundo, mas acabo sempre me lembrando que meu professor de metalurgia me mostrou um dia que a fadiga corrói sem dó a barra de aço.

Mesmo no barulho que se instalou na minha consciência outrora tranquila, até me orgulho de mim vez por outra!

Esse encontro anunciado parece-me fundamental à popularização do enfrentamento ao grande conflito vivido, pressuposto básico para negociações efetivas. Cada qual, da sua maneira, pode fortalecer esta demanda, não é? Mas desta vez, não mandarei, um a um, sugestão de pauta, firmeza?

Cada qual avalie aí e, se sentir motivado, pode iniciar sua participação voluntária já na divulgação deste encontro nos seus meios: blogs, sites, listas, impressos, audio-visusais, palestras, aulas, saraus, shows, etc e tudo!

Falo principalmente aos meus, da Literatura Divergente ao Hip Hop, da Blackitude à UCSal! Do Punho à Voz, podemos ser "um"!

Só não dá mais para ficar no silêncio, pois ele está nos constrangendo demais!

Negralizados ou Neutralizados, portamos a Cor da Demanda!!


Nelson Maca -
Exu Tímido Ecoando a Voz do Ogum Guerreiro


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Domingo, 21 de Junho de 2009

Odeio heroína e heróis!

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Crônica Mendes
, do bom grupo de rap A Família, escreve texto inspirado nas palavras de Ana Carla (Meu luto é luta), nas minhas (Negrocídio) e nas do GOG (O Rap se manifesta) - todos logo aí - abaixo.

Para mim é positiva esta conexão com este cara - Crônica Mendes - ele me inspira confiança!

O texto chama -se Odeio heroína e heróis, e começa assim:

"Não assistimos, porque a vida real não está nas telas. Mas infelizmente seguimos presenciando os corpos nossos de cada dia caírem por terra, tombarem em cada esquina, praça, sela, becos e vielas.

Dói, indigna, assusta...

Temos tantos heróis e nenhum é nosso de fato. Mas quem precisa de herói em um mundo tão real, onde a barbárie aniquila e ainda anuncia quem vai ser o próximo.

Sou puto e fico mais puto ainda com os discursos em palcos e ausência de prática. Estão usando a favela, estão usando nossa juventude. E o pior é que são daqui.

Quem é o inimigo?
Quem é você?

[...]"


E termina com a seguinte nota:

"Inspirado nos textos Negrocídio de Maca, Meu luto é minha luta de Ana Clara e no texto escrito por Gog à Ana Carla."

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Então,
vamos lá conferir o restante do "desabafo" e, ao mesmo tempo, aproveitar para visitar mais um Blog da Irmandade em Luta?

O endereço é: http://www.cronicamendes.blogspot.com/


África! One People! One Love!

Nelson Maca - Um Elo-da-Corrente


*As fotos foram sequestradas do Bog do Crônica

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Sábado, 20 de Junho de 2009

Que som é esse Man?

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Versu2 disponibiliza "Que som é esse Man?"
faixa que comporá seu primeiro CD


Salve companheiros,

enquanto o Versu2, grupo de rap dos parceiros Blequimobiu e Coscarque, prepara o esperado primeiro “cd cheio”, foi disponibilizada a faixa Que som é esse, man? - que fará parte do trabalho inaugural da Rapa.

De maneira pontual e com competência comprovada nas sonoridades da música apresentada, eles apostam na mistura da Axé com o Rap.

Sabendo da possível “polêmica” de críticas precipitadas de alguns (rsrs), eles adiantam logo uma resposta em forma de questionamento:

“- Isto mesmo, se pode misturar com Samba, por que não com Axé”.

Como se diz por aí: a faixa "Suinga", mon!

A produção é de Sinho Representativo
(http://www.myspace.com/representativo).

A gravação é obra de Fabiano Passos
no Estopim Estúdio em Salvador.

A alquimia da mixagem feita pelo “cientista de pés no chão”
Mc Marechal no Rio de Janeiro.

E aí... Vai encarar...? O time é bom, hein!?

A faixa pode ser escutada no www.myspace.com/versu2 e download no link http://www.positivoz.com/versu2/downloads/V2_QSEM.zip

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Fica aí a sugestão para quem se interessar em conhecer o trabalho dos Irmãos ao lado, daqui mesmo - das Ruas da Bahia Preta...

Fica também o convite para você que se sentir motivado pelo resultado deste trampo (como eu, aliás!) entrar nesta frente de divulgação nas bases e nos domínios de sua circulação!

Os contatos estratégicos podem ser feitos com Rangell Blequimobiu
no positivoz@gmail.com ou pelo 71 88770274.

É tudo nosso!!

Nelson Maca – Blackitude.Ba

“o atlântico é maior e mais importante
que o córrego que passa na minha aldeia,
mas o atlântico não é
o Córrego que corre na minha aldeia”

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

A África que Incomoda!!

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PICHÓN - A Memoir
Race e Revolution in Castro's Cuba


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Racismo & Sociedade
Novas bases epistemológicas para entender o racismo

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FELA

This Bitch of a Life

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African Presence in the Americas

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A África que incomoda

Sobre a probemática do legado africano no quotidiano brasileiro


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Castro, The Blacks, and Africa

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Tenho conversado com o Mestre Carlos Moore sobre minha sempre vontade de acelerar e ampliar seu contato com os meus! Estamos discutindo, se possível, já para o segundo semestre, a possibilidade de a Blackitude produzir cursos e encontros dele com artistas, ativistas e estudiosos: do hip hop, da literatura divergentes e afins...

Não vai ficar Pedra sobre Pedra!
Pode ter certeza!!

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Tenho muita vontade de fazer, pelo menos, um encontro nacional com os parceiros de fronte, para uma troca de experiências e estudos avançados. Penso sempre que ações neste sentido (aqui ou fora - Com Carlos e outros Mestres de Vida) nos prepararão para uma melhor compreensão e atuação na problemática que nos envolve.

Viajo na história de reunir uma galera que tenho mantido contatos positivos num encontro aqui em Salvador, mas sem aquela de artistas ou celebridades. E sem caôs nem candidatos a nada. Tudo nominal, mesmo que insistam em nos chamar de panela. Penso muma frente tipo cooperativada. A gente descola uma casa e rango por cá, e os guerreiros vem com tudo, para uns dias loucos de estudos teóricos, trabalho orgânicos e rolés lúdicos na Bahia Preta.

Na real mesmo, seria um primeiro e efetivo momento de articulação da Confederação do Nagôs, a partir da qual podemos visumbrar a concretização da LAA - Liga Africana Atual...

Viajo nisso há uma cara!
E você, chegado, o que acha?

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Nelson Maca
Não que não sonhe com flores,
mas sei que tenho uma realidade repleta de mato pra atravesar...!

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Gramática da Ira: Daria um filme!!

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Video de Guga Calazans e Dj Mário77





Acesso diariamente (será vício?):

- http://www.bocadaforte.com.br/
- http://www.cidinhadasilva.blogspot.com/
- http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/
- http://www.corponegroexpressaoecultura.blogspot.com/
- http://www.efeito-colateral.blogspot.com/
- http://www.elo-da-corrente.blogspot.com/
- http://www.fuzzil.blogspot.com/
- http://www.gograpnacional.com.br/
- http://www.licuri.wordpress.com/
- http://www.rapnacional.com.br/
- http://www.suburbanoconvicto.blogger.com.br/
- http://www.walterlimonada.wordpress.com/


E mais:


- http://www.cloacanews.blogspot.com/
- www.colunistas.ig.com.br/luisnassif/
- http://www.paulohenriqueamorim.com.br/
- http://www.viomundo.com.br/


Depois acrescento os que esqueci...!

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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Literatura Divergente - Tese 1

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Manifesto Íntimo e Relativo do Escritor Divergente


O Escritor Divergente está organicamente envolvido com seu projeto literário.

Sua obra não deve estabelecer limites nítidos entre o fim de sua vida e as linhas de seu texto. Porém todas as marcas que interressam estão no seu discurso. Suas palavras aos olhos e/ou ouvidos do leitor são o início, o fim e o meio de sua arte-vida!

Não há objetivos antes da linguagem, embora haja verdades que interessam! Sua razão de obra é sempre o depois, o daqui pra frente. Dentro e fora do texto, sua meta maior é vida na sua abrangência contraditória!

O Escritor Divergente, entre nós, aqui, sabe-se pertencente de fato a uma cena que diverge das hegemonias históricas da literatura ocidental oficializada.

A voz e/ou letra impressa do Escritor Divergente media, com a harmonia interna de sua a arte, a sua relação de dissidência expressiva com o caos da realidade que o cerca em publicações pontuais nas orelhas do livro trágico da vida que lhe cabe.

Essa é a sina do Escritor Divergente!

Seu caminho se entrecruza com os caminhos de outros diferentes nas experiências de vida, mas iguais na urgência do texto conscientemente divergente. Logo, da natureza destas relações depende o diálogo, o alcance e a inteireza da empreitada de cada Escritor Divergente que, logicamente, nunca deixará de ser e ter sua própria história individual e intransferível.

Em muitos casos, no entanto, essa consciência ainda é o objetivo principal a ser percebido, artigo buscado e, enfim, alvo alcançado.

Muitos Escritores Divergentes - por natureza - ainda não percebem e/ou sassumem esse senso de pertencimento; o que, quando dominado, pode representar avanços inimagináveis para sua escrita.

Essas relações de percurso são vitais para a trajetória do Escritor Divergente.

Então, o escritor Divergente não deixa de ser, também, uma contradição urgente e necessária do sistema geral dominante.

Por isso, sempre que o Escritor Divergente fala, enquanto consciência de sua identidade e papel na atuação do coletivo, se expressa, literariamente ou não, a partir de conceitos e definições culturais que não deixam que se obscureça os elementos políticos e trabalhistas de sua experiência.

O Escritor Divergente, por conta própria e auto-determinação, mais cedo ou mais tarde, saberá o quanto foi, é ou será inoportuno e agressivo às demandas das belas letras e das folclorizações contemporâneas interessadas.

O Escritor Divergente espantará a muitos que giram noutra vibração (isso é bom!).

O Escritor Divergente consciente sempre saberá que, sozinho, fica tudo bem mais difícil, mas estar junto é um exercício, por vezes de muita entrega e autocentramento - doloroso demais.

Ele saberá que cada qual que o cerca, aproximado pelas dissonâncias, tem uma dúzia de conflitos cotidianos para cuidar. Tem seus próprios mil quilos sobre o ombro pra carregar.

O Escritor Divergente escreve sabendo que, quando toma suas decisões mais radicais, influencia, para o bem ou para o mal, o ânimo e/ou o trabalho de cada um de seus pares, independente de sua vontade.

Por isso o Escritor Divergente se reconhece e se aceita como engrenagem de um mecanismo maior que sua experiência individual.

O Escritor Divergente é ciente de que suas decisões não podem ser, pura e simplesmente, fruto de uma postura ego-centrada.

Para esse Escritor Divergente tratado aqui, não há mais inocência ou engano nas suas posturas, com certeza. Há escolhas e decisões: corrompidas ou não.

A existência do Escritor Divergente consciente “em si” reitera sua “própria” verdade!

O Escritor Divergente sabe que, antes de ser escritor, algo maior o condiciona.

Por isso não se adapta aos conceitos e políticas, oficiais ou não, que universalizam a escrita literária como se fosse uma - e una.

O Escritor Divergente é aquele que, no seu texto, e não no seu corpo, endereço ou história social, materializa a sua divergência em conteúdo e forma. Faz-se na sua obra concreta! Logicamente, a vivência é seu combustível... nas seu texto é tão e somente seu cartão de visitas.

Parágrafo único: não há Escritor Divergente sem Escrita Divergente!!

Condição mínima: o Escritor Divergente só o é enquanto for Incorruptível na sua Escrita Divergente!

Ser Escritor Divergente não é situar-se às margens ou periferias dos conflitos.

Ao contrário, o Escritor Divergente nasce no centro do Problema. Sua escrita enuncia-se do centro da Discordância. Sua razão de ser literária habita o olho do Furacão.

Por isso o Escritor Divergente transforma em linguagem sua sempre e eterna dificuldade de Ser e Estar. Não aceita compreender e conviver alienado, conformado ou pacificamente com situações que combate na vida!

Das duas, uma: ou o Escritor Divergente expressa seu desconforto e desconfiança ou o Escritor Divergente instaura desconforto e desconfiança.

A literatura do Escritor Divergente não é seu refúgio, mas sim seu fronte possível no combate em defesa de uma identidade positiva e da liberdade de expressão. Além de fonte de prazer espontâneo!

Sem medo de ser mal interpretado, dentro de suas mais arraigadas convicções literárias, o Escritor Divergente sabe em que consiste seu talento na escrita que faz.

Ele sabe também da potencialidade comercial de seus escritos!

Em liberdade política e criativa ou, então, cooptado pelas instâncias tradicionais de consagração, o sucesso do Escritor Divergente é possível.

Ele sabe! Ele escolhe!

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Só o tempo tira a prova real das verdadeiras verdades sem contestações retóricas!

Nelson Maca
Escrever para tentar me achar!

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