terça-feira, 18 de dezembro de 2012





Negritude, Consciência e Literatura: um Triângulo Vigoroso


Lançamento da antologia poética Cadernos Negros - Volume 35
no Sarau Bem Black com a presença dos escritores locais 


O Sarau Bem Black realiza mais uma edição especial nesta quarta-feira (19/11) no Sankofa African Bar, Pelourinho. O encontro poético-musical, que acontece semanalmente há mais de três anos, tem a honra de receber o lançamento baiano da antologia Cadernos Negros - Volume 35, da Quilombhoje, com a presença de Guellwaar Adún, Jairo Pinto, Luiz Carlos de Oliveira, Mel Adún e Vânia Melo, cinco dos vinte e dois que celebram a poesia nessa edição.

O Sarau Bem Black faz parte das ações etno-culturais do Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia e tem apresentação de Nelson Maca, Zezé Olukemi e Álvaro Reú. Conta com as participações fixas das poetas mirins Luiza Gata e Lucinha Black Power – que também integram o Sarau Bem Legal – e do DJ J.O.E, responsável pelas intervenções musicais que já são a marca do evento. A cada semana, o repertório é cuidadosamente escolhido a partir do formato de cada edição.

Com entrada gratuita, a programação começa às 19h30. Além da habitual jornada literária do próprio sarau e da sessão de autógrafos, acontecerá um bate-papo com os autores que também recitarão no evento. O livro será vendido no local pelo preço de R$ 20,00.

 


Cadernos Negros - Volume 35

Na estrada há mais de 30 anos, no Volume 35, a antologia Cadernos Negros livro reúne mais de 100 poemas Afro-Brasileiros, em que cada autor e autora nos mostra compromisso com a poesia que vem marcando a publicação ao longo dos últimos 35 anos, o que faz dessa a série de maior fôlego na história da literatura negra no Basil. No seu todo, publica contos e poemas de autores autodenominados afro-brasileiros, discute conceitos e significados da literatura negra e as relações desta com a literatura canônica. Com isso chama a atenção para questões cruciais em nossa sociedade, como a diversidade, a cidadania, etc.

A série Cadernos Negros permite uma multiplicidade de experiências na escrita que  vai dos jovens autores àqueles que têm uma trajetória mais consolidada. São textos combatente em que "Na poesia, mesmo rindo, a palavra dói a cada esquina, pois o som é bisturi com que a metáfora rasga o gesto e faz nascer o contínuo choro a lavar, nas entrelinhas, o peito", no dizer do escritor Luiz Silva (Cuti), outro autor participante da antologia.




SERVIÇO


Lançamento do livro Cadernos Negros vol 35 – Poemas Afro-Brasileiros.
Data: 19 de dezembro (quarta-feira)
Horário: Dia 19 a partir das 19h:30min
Local: Sankofa African Bar - Pelourinho
Preço do livro: R$ 20,00
Entrada Franca

sábado, 27 de outubro de 2012





Donna Liu lança clipe
e faz 
pocket-show no Sarau Bem Black


O Sarau Bem Black realiza mais uma edição especial nesta quarta-feira (31/10) no Sankofa African Bar, Pelourinho. O encontro poético-musical, que acontece semanalmente há três anos, tem a honra de receber uma das mais promissoras cantoras da cena mpb-soul-rap soteropolitana: Donna Liu. Atuando também como baking vocal do rapper AfroJhow, ela possui uma considerável carreira solo. E é um pouco desta trajetória que apresenta na próxima edição do Sarau Bem Black, quando exibe, em primeira mão, o clipe Meu Alvo, que conta com a participação de Mr Dko. O trabalho tem direção e produção de Max Gaggino, que assinou clipes recentes para os rappers Mr Armeng e AfroJhow.

O Sarau Bem Black faz parte das ações etno-culturais do Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia e tem apresentação de Nelson Maca, Robson Véio, Zezé Olukemi e Álvaro Reú. Conta com as participações fixas das poetas mirins Luiza Gata e Lucinha Black Power – que integram o Sarau Bem Legal – e do DJ J.O.E, responsável pelas intervenções musicais que já são a marca do evento. A cada semana, o repertório é cuidadosamente escolhido, a partir do formato de cada edição. Esta semana, por exemplo, o Dj J.O.E trará a música incendiária da cantora americana Betty Davis.

Com entrada gratuita, a programação começa às 19h30. Além da habitual jornada literária, acontecerá bate-papo com Donna Liu e, ao final, um pocket-show com as participações de Daganja, AfroJhow, Mr DKO, Dj Akani e dos grupos Primazia e Bota a Casa pra Tremer. "Donna Liu canta e encanta com a sua voz magnífica no cenário da música baiana. O álbum promete uma grande fusão de ritmos, dentre eles o jazz, blues, samba e o rap. E em primeiríssima mão todos poderão entender, curtir e compartilhar este projeto através da linguagem áudio visual”, afirma AfroJhow. A noite conta também com a vendagem de CDs, livros e camisetas de produção local.






Donna Liu


Iniciou sua carreira em 1996, cantando música gospel em várias igrejas evangélicas da capital baiana, Donna Liu, cantora e compositora, apresenta composições inovadoras e inspiradoras para um público que anseia coisas novas no mercado fonográfico atual. Jorge Benjor, Baden Powell e Elis Regina são as principais influências musicais desta nova MPB.

Donna Liu já trabalhou com nomes consagrados da música - como o maestro Sergio Souto e a cantora Manuela Rodrigues - e da dança como o professor, coreógrafo e dançarino, Mestre King, no projeto Opaxorô. Além de já ter feito parte de diversos grupos de música, dança e teatro, esta novidade da música negra brasileira aprimorou suas técnicas e conhecimentos vocais com uma formação em Fonoaudiologia na Universidade Federal da Bahia - UFBA. “A música exige de você muito estudo e disciplina” afirma a cantora e fonoaudióloga.

A música negra, em suas diversas vertentes, sempre acompanhou a brilhante carreira de Donna Liu, a exemplo do Rap, da Soul, do Rhythm and Blues (R&B), do Samba, do Blues e do Jazz. Foi a partir dessas influências que ela fez a montagem musical "Samba por um triz", em 2010, resgatando sambas clássicos da nossa música, através de releituras de sambistas conhecidos. Ela acredita que o “Samba também é Black music”! As composições de Donna Liu são inspiradas em histórias pessoais, reais, que aconteceram em sua vida, a exemplo de “Meu Alvo”, “A gente se entende” e “Minha Preta”.

Donna Liu é uma presença marcante no último álbum do amigo e parceiro Afro Jhow Sem Luta não há Vitória, colocando sua voz em quase todo o disco como back vocal, nas construções vocais e em parceria com o rapper nas composições, mostrando a sua versatilidade musical. A cantora também participou em duas faixas do álbum Sinceramente de seu irmão Mr. Dko (rapper), lançado recentemente e em outros trabalhos de rappers atuantes em Salvador como DaGanja Mc, Deneshi e o grupo Primazia. Integrou-se recentemente ao projeto “Tocandomblé” do grupo “O Kontra”, idealizado pelo multi- instrumentista Nei Sacramento.

Com aspirações de conquistar o público simpatizante e admirador da Black Music, Donna Liu divulgará em breve novas composições, como apresenta agora o clipe da música Meu Alvo, com identidade e respeito à ancestralidade africana, contando com o apoio do povo baiano. “Seja o que for tudo se revela diante das águas”

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SERVIÇO

Evento: Sarau Bem Black recebe Donna Liu
para lançamento do clipe Meu Alvo e pocket show
Participação: AfroJhow, Daganja, Dj Akani, Mr DKO e dos grupos Primazia e Bota Casa
Quando: Quarta (31/10), às 19h:30min
Onde: Sankofa African Bar, Pelourinho

(Panfletos: Penga / Foto de Donna Liu: Leo Ornelas)


terça-feira, 23 de outubro de 2012


Um Sarau Bem Black Emocionante



Para todos que acompanham, entendem, curtem e torcem pela continuidade do Sarau Bem Black, a próxima quarta-feira marca um momento realmente bacana para nossa auto-estima, força e permanência.

Receberemos duas pessoas queridas, com dois trabalhos ilustres que nos colocarão para cima, principalmente, por dois motivos simples e vitais: nós criando e nós estudando nós mesmos.

Falo da Gleice Oliveira e do Ba Kimbuta.

Vozes Negras da Bahia: um Sarau Bem Black

A Gleice, frequentadora assídua do Sarau Bem Black, está em fase de conclusão do Curso de Letras na UFBA. E como tema de seu trabalho final (TCC) "Vozes Negras da Bahia: Um Saru Bem, Black", ela escolheu o Sarau, o que é uma grande honra para nós.

Honra por saber que podemos também "rasurar" o cânone acadêmico, derrubando as portas no peito, e levando, por nós mesmos, nossa literatura para dentro de espaços que sempre nos quiseram segregados, fora.

E o melhor dessa subversão é que a Gleice vai defender seu trabalho dentro do Sankofa African Bar, como exercício acadêmico, mas também por ser ela parte orgânica do Sarau Bem Black. Ajudará, assim, a diluir os limites entre a casa e a rua, a universidade e a comunidade.

A defesa será às 18h lá mesmo no Sarau Bem Black!

E essa fita não pára por aí, pois ela me chamou para ser um dos orientadores de deu TCC. Logo, comporei sua banca. Na condição de Professor Universitário, serei um dos pareceristas de seu TCC.

Pode acreditar!

Pra completar a cena, esperamos que você compareça, fortalecendo essa menina-mulher da pele preta que mora no Bairro da Boa Vista do São Caetano.

Tudo nosso!! Tudo em casa! E eles dizem que somos inimigos do livro, da leitura, do estudo, né!




"Universo Preto Paralelo"

O Ba Kimbuta é um rapper talentosíssimo lá do ABC Paulista, circulando entre Santo André a Mauá. Está em Salvador desde a última sexta feira, inclusive participou, afetiva e efetivamente, de nossa Semana de Fela. que movimentou a o centro histórico na última semana.

Ele está de férias em Salvador com a família e vai ser o outro destaque do próximo Sarau Bem Black, quando faz o pre-lançamento na Bahia de seu CD Universo Preto Paralelo. "Pré" porque ele volta para o Sarau do dia 14 de novembro, com sua banda completa, para o lançamento definitivo.

Nesta quarta, além de trazer seu CD, que será vendido no local por R$ 10, ele bate papo sobre sua carreira e militância política e faz um pocket-show acompanhado do Dj Joe, residente do evento.

Quem viu sua performance na semana de Fela sabe do que estou falando!

Unidade de Poesia Preta

Então tudo conspira para esta quarta ser um grande sarau. Estamos contentes com o vigor que tem se estabelecido nosso encontro poético semanal. Nesta quarta-feira, ainda mais, nos fortalecemos com a presença desse irmão e dessa irmã, negros e da base, que tão bem realizam sua linguagem artística e acadêmicas. Aproximem-se mais e curtam esse momento com a gente. Venham constatar como o Sankofa African Bar tem se transformado na casa do acolhimento daqueles que insistem em ser críticos e Independestes sem perder a Postura, a Elegância e o AXÉ.

Enquanto o estado inunda as periferias pretas de policiais, nós fortalecemos nossa Unidade de Poesia Preta.




Ficha: Sarau Bem Black

Local: Sankofa African Bar - Pelourinho
Data: 24/10/2012
Horário: a partir das 18h

18h: Defesa do TCC : Vozes Negras da Bahia: Um Sarau Bem, Black
Autora: Gleiciele da Silva Oliveira (Letras -UFBA)
:: Banca examinadora: Denise Carrascosa Franca (UFBA), Nelson Maca (UCSal) e Ana Lucia Silva Souza (UFBA)
Horário: 18h / Entrada franca

20h: Lançamento: CD Universo Preto Paralelo
Artista: Ba Kimbuta (São Paulo)
Horário: 20h / Preço do CD: R$ 10,00

Gleice Oliveira

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Sou Gleiciele da Silva Oliveira, nascida em Santaluz, no sertão da Bahia, filha de Maria Ginai da Silva Oliveira e Antonio Raimundo de Oliveira, negra e moradora da Boa Vista do São Caetano, região periférica de Salvador. 

Ingressei na Universidade Federal da Bahia em 2006, no curso Letras Vernáculas, após participar do cursinho pré-vestibular Universidade para Todos, uma vez que sempre estudei em escolas públicas. Durante o curso, participei de alguns projetos como o Diálogos Cotistas: qualificando a permanência na UFBA (Ceafro), ALiB: Atlas Linguístico do Brasil (ILUFBA) e Etnoescrituras: proficiência multimodal de leitura e escrita em contextos extraescolares (ILUFBA). 

Atualmente, participo esporadicamente do grupo de pesquisa Literatura como performance: narrativas de si, políticas de si, coordenado por Denise Carrascosa (ILUFBA). Conclui a licenciatura em 2010 e atualmente sou educadora no núcleo EJA RMS do Sesi, alfabetizando jovens e adultos no cenário da construção civil.



Ba Kimbuta
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Em 1996 Bá Kimbuta se identifica com a luta e mergulha de corpo e alma no movimento hiphop, e logo funda a banda Uafro, onde atua como vocalista e compositor. Na sua história de resistência mantêm sua ancestralidade como foco de emancipação do povo negro. 

Organiza com outros irmãos a associação Negroatividades, fortalecendo o movimento negro em Santo André e São Paulo, promovendo debates e reflexões sobre a luta de gênero, a luta racial e a luta de classes. Ainda com a Negroatividades produz diversos eventos como o Grito da Periferia, documentário exibido pela TV Cultura em 1999, e discussão sobre saúde da população negra em 2000. 

Com a banda Uafro participou das coletâneas Revolução com a Nossa Cara, tributo a Celso Daniel, Nós na Fita e Projeto Viajar. Junto à comunidade organiza o fórum de entidade negras de Santo André, e a luta pela aprovação do feriado 20 de novembro em Santo André, e outras cidades da região. Com o coletivo Uafro grava o vídeo-clipe Descobrimento Segundo Adal e o vídeo do Projeto Canja com Canja. Ba a co-fundador da Escola de Cultura Negra Bantu, co-produtor do dia da Cabeça Preta, Jantar Africano, Pão e Vinho Cultural. 

Desde 2006 integra o grupo Amandla como compositor, percussionista e vocalista, grupo que se utiliza do Rap para denunciar as atrocidades cometidas pelo capitalismo. É membro militante do grupo de juventude negra Kilombagem que promove intervenções, palestras e debates em torno de questões políticas e sociais. 

Faz parte dos grupos Estimulamente, da Banca Audácia, e do Projeto Conde Favela. Em 2012 lança seu primeiro trabalho Universo Preto Paralelo, que é apanhado de sua história, somados a muita musicalidade, aprofundando temas raciais, de forma poética e contemporânea, elevando o rap a diversas vertentes da música negra como: afrobeat, funk, jazz, soul, samba, reggae, entre outros gêneros musicais.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Fela Day Fela Week Fela Forever




Fela Day, Fela Week, Fela Forever
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Aniversário do artista nigeriano Fela Kuti  ganha semana
comemorativa
em Salvador, de 15 a 21 de outubro


Realizado anualmente em vários países, o Fela Day marca as comemorações pelo nascimento do músico e ativista nigeriano Fela Kuti (1938-1997), em 15 de outubro.  Em Salvador, vários projetos culturais se juntam numa semana de atividades com diferentes ações, mas que têm um objetivo em comum:  promover um grande reencontro com a imagem forte, a música envolvente e com as idéias revolucionárias do pai do afrobeat.

A programação começa nesta segunda, com o projeto Qual é a da Noite?, que apresenta peças teatrais de temática negra no Sankofa African Bar, no Pelourinho, a partir das 19h. Na ocasião, será reapresentada a peça CÂNCER, do Grupo Ditirambos, que  conta a história de uma conflituosa relação entre um proprietário e seu inquilino. Em cena Du Vado Jr., Jean Pedro e Vinícius Carmezim. Bertho Filho assina texto e direção. Antes da peça, será exibido o dcoumentário Fela Kuti: A Música é a Arma (53'), dos diretores Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori. Após a peça, quem comanda a noite é o Sistema KALAKUTA, com um muito afrobeat, numa homenagem ao músico e ativista nigeriano.

Amanhã,  o evento ganha a rua, na tradicional roda  de break da Praça da Sé, comandada pelo grupo Independente de Rua . Diante os painéis grafitados nos Fela Days de 2009 e 2010 e embalados pela batida do afrobeat, dançarinos se alternam na roda, que terá microfone aberto para improvisadores do hip hop, ou seja,  do rap free-style, desenvolverem suas rimas na hora. Durante a noite, o grafiteiro Lee27 fará um dos 4 painéis temáticos que comporão uma mini-exposição a ser inaugurada na sexta, durante a Festa Afrobeat .

O Sarau Bem Black, que acontece às quartas, também no Sankofa, dá seguimento à programação. Fela Kuti é o tema central da noite, com muita música e poesia tematizando  questões da negritude. Na abertura da noite, será reexibido o filme Fela Kuti: A Música é a Arma. O DJ Joe, residente do projeto, promete uma sequência inesquecível  de músicas de  Fela Kuti - diretamente dos vinis!,  entre uma performance e outra. Do lado de fora do bar, o artista Finho empresta seu talento para a grafitagem do segundo painel temático.

Temas como pan-africanismo, afrobeat, negritude e o próprio Fela Kuti estarão em pauta, quinta, num encontro entre os envolvidos nas atividades da semana, mas com entrada aberta aos demais interessados. A partir das 19h, acontece a terceira exibição de Fela Kuti: A Música é a Arma, seguida de pequenas falas e depoimentos dos realizadores dois projetos que integram o Fela Day. O grafiteiro Zezé Olukemi executa o terceiro painel.

Nos dois últimos dias acontece a confraternização entre  realizadores, artistas, incentivadores, apoiadores e, logicamente, público em geral. Na sexta, acontece uma edição  especial da Festa Afrobeat, com o Sistema Kalakuta. Os DJs Sankofa, Dudoo Caribe, Riffs e Edbrass se revezam, tomando conta da pista numa sequência ininterrupta de afrobeat e gêneros afins. A festa conta também  com poetas e rappers que soltarão seus versos sob bases musicais, exibição de filmes e clipes e grafitagem ao vivo de Neuro, que pintará o quarto painel que comporá a mini-exposição no local.

Finalizando essa sequência de homenagens a Fela Kuti, a cooperativa Rango Vegan une-se à Omosholá Artes Africanizadas para uma grande confraternização, domingo,  em torno da moda conceitual e da alimentação saudável. A tarde terá exibição de documentário, discotecagem, feira, desfile de roupas africanas e venda de produtos alimentícios da Rango Vegan, confeccionados sem nenhum ingrediente de origem animal. A Omoshalá também exibe suas roupas nos outros eventos da semana.

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FICHA
Evento: Fela Day, Fela Week, Fela Forever
Quando: de 15 a 21 de outubro de 2012
Onde: Sankofa African Bar, Praça da Sé e Cooperativa Rango Vegan,


PROGRAMAÇÃO

:: Segunda (15/10), Sankofa African Bar, Pelourinho, 19h
Projeto Qual é a da  Noite?
Exibição de filme:  Fela Kuti: A Música é a Arma (53'),
dos diretores Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori.
Apresentação da peça: CÂNCER (Grupo Ditirambos)
Música: Sistema Kalakuta
Entrada: R$ 10,00 / Casadinha: 15,00

:: Terça (16/10), Praça da Sé, 19h
Roda de break com o grupo Independente de Rua
Especial com música afrobeat
Microfones abertos: rap free-style
Grafite ao vivo: Lee27
Entrada franca

:: Quarta (17/10), Sankofa African Bar, às 19h
Sarau Bem Black- Especial Fela Kuti
Exibição de filme:  Fela Kuti: A Música é a Arma
Música: Dj Joe - Especias Fela Kuti
Grafite ao vivo: Finho
Entrada franca

:: Quinta-feira (18/10), Sankofa African Bar, às 19h
Mini-palestras e bate-papo sobre Fela, afrobeat e o pan-africanismo
Exibição do doc: Fela Kuti: A Música é a Arma
Mini-palestras: Nelson Maca e Fábio Mandingo
Bate papo: integrantes dos projetos que compõe a semana
Música: Dj Sankofa - Especial afrobrat
Grafite ao vivo: Zezé Olukemi
Entrada franca

:: Sexta (19/10), Sankofa African Bar, 21h
Festa Afrobeat com Sistema Kalakuta
(Djs Dudoo Calibre, Edbrass, Riffs e Sankofa)
Exibição do doc: Fela Kuti: A Música é a Arma
Particpação: Poetas e Rappers
Grafite ao vivo: Neuro
MIni-exposição de grafite: Finho, Lee27, Neuro, Zezé Olukemi
Entrada: R$ 10,00

:: Domingo (21/10), Cooperativa Rango Vegan, 15h
FelaVille? / Rango Vegan + Omosholá
Exposição, desfile e comerciaçialização de roupas africanizadas
Música afrobeat, Rap, Reggae, Exibição de curtas e Lanches
Mni-exposição de grafite: Finho, Lee27, Neuro e Zezé Olukemi
Entrada franca


Mais informações: Nelson Maca (9130-4618) / Edbrass (82402034) / Dayane (93300746)

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Fela Kuti: Pai do Afrobeat

O feito que consagra Fela Kuti é a elaboração da música Afrobeat. Chegando ao auge nas décadas de setenta e oitenta, representa uma fusão da música tradicional da Nigéria com as inovações do Highlife de Ghana, além de ritmos cubanos e elementos do jazz. Tudo potencializado no encontro, pontual, com as guitarras e baixos da soul music norte-americana. Definitivamente, há um Fela antes e um depois de sua descoberta de James Brown, que chega em sua vida juntamente com Malcolm X. Daí resultou uma música de pegada brutal justaposta por letras de alta tensão política e racial. Fela afirmou que a politização profunda de sua música, sua descoberta da africanidade real, se deu quando morou nos EUA. A responsável por isso foi Sandra Smith Isidore, sua namorada então, que pertencia aos quadros do Black Panters. Foi ela quem primeiro questionou Fela sobre a importância do que falavam suas letras. Também apresentou a ele a auto-biografia de Malcolm X e a música de James Brown

As canções de Fela quebram totalmente as convenções tradicionais das músicas ocidentais e/ou “comercias”. Para se ter uma idéia, são músicas de 15, 20 minutos ou mais. Introduções longas, improvisações, repetições, chamamentos e respostas. O mais genial é a junção desses elementos em suas performances ao vivo, por se tratar de um instrumentista múltiplo, religioso praticante no palco e também um grande dançarino. Some-se a isso a competência de seus músicos juntamente com os coros e coreografias de suas esposas e não haverá limites conhecidos.

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Documentário: Fela Kuti: A Música é a Arma

Documentário sobre Fela Anikulapo Kuti, dirigido, em 1982, por Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori, "Music Is The Weapon" revela detalhes sobre o artista e a história da música africana. O filme centra-se em declarações do nigeriano  que estabeleceu a relação explosiva entre a música tradicional africana, as novidades do higlife de Gana, os ritmos afro-cubanos e, destacadamente, a influência do jazz e da black   music. A soma deste lastro musical juntamente com a vivência de Fela Kuti com o Movimento Black Power e com o Panafricanismo estabelece a fusão primordial da experiência afrobeat: arte e ativismo revolucionários bem captados neste registro histórico incomparável.

Além da localização da genialidade de Fela Kuti, o documento apresenta imagens do cotidiano do artista, como sua propriedade, a República Kalakuta, e sua casa noturna, África Shrine - ambas declaradas territórios independentes dentro do país. O filme é uma mostra concreta do enfrentamento que faz o “Presidente Negro” ao seu conflitante e violento cotidiano da Nigéria nas décadas de 60 e 70, principalmente. Incrivelmente dançante, a música de Fela Kuti cresce magistralmente sua tensão nas performences ao vivo. Além de tocar vários instrumentos, acompanhado de incrível big band África 70 (depois Egito 80), e de um corpo de dançarinas formado por suas esposas, ele próprio era  cantor e dançarino. Enfim, além de sua expressão estética permeada por suas práticas religiosas e espirituais, o vídeo valoriza o pensamento político do artista mais revolucionário que a África.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012



Manifestação da Literatura Divergente
/ ou /
Manifesto Encruzilhador de Caminhos


Nelson Maca

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A elaboração do texto final deste manifesto reflete a leitura crítica de algumas pessoas muito queridas minhas, a quem destaco e agradeço imensamente. Almas e mentes atentas que me permitiram uma troca incrível de ideias, fazendo-me repensar cada ítem aqui apresentado, seja revendo conceitos, reescrevendo frases, relativizando argumentos ou fortalecendo meus pontos de vista e expressões primeiras. Falo do saudoso e inesquecível Marco Aurélio Barreto; do sempre presente e questionador Robson Véio; do provocador e grande entusiasta das letras nas encruzas Henrique Freitas; da atenta e incentivadora Adriana Facina; da leitora generosa e implacável Silvia Lorenso; da parceira ao lado, companheira de vida, co-autora de minhas duas filhas e, enfim, "tesoura" implacável de meus excessos retóricos (todos),   Ana Cristina Pereira. Aproveito para agradecer também, pelas trocas de ideias sobre Literatura Divergente, a dois parceiros que aprendi a ser cúmplice em tudo que penso e faço: GOG e Silvio Roberto.   

Laroyê!
Thank You, EXU!

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- Por serem divergentes, as possíveis discordâncias das concepções de base fortalecerão as convicções desta manifestação e serão a prova real da diversidade descentrada que determina o dinamismo das literaturas.

- Porém, uma constatação a tempo: apesar de minhas reflexões situarem-se no campo prático das literaturas, ao reler inúmeras vezes esta manifestação escrita, certa ampliação impôs-se-me como possibilidade fecunda. Na verdade, em quase todos os lugares onde eu escrevo Literatura em sentido genérico, ou mesmo pontual, poderia ter grafado Arte. Com uma pitada de relativismo, acho que, até o final do texto, vocês me entenderão. E aqueles que acharem aqui algum nó de diálogo ou dobra de perspectiva crítica poderão levar minha escrita para debates em campo de linguagens não vislumbradas a priori.

- Enquanto os manifestos, justificativas e fundamentações teóricas das variadas literaturas - comumente - refletem, fundam ou postulam um programa estético, essa Manifestação da Literatura Divergente, primordialmente, quer se aproximar do desejo íntimo de postura crítica de seu agente, o autor divergente - que antecede seu texto propriamente dito - e de sua respectiva textualidade, a Literatura Convergente.

- Muitos pedirão para que se ilustre esta demanda. Ou seja, para que eu exemplifique o debate com um elenco inconteste de autores e obras que formatariam um painel ilustrativo da Literatura Divergente, como condição prévia da legitimidade do conceito aqui proposto. Não partir de uma estética já posta, como afirmei acima, para esses perguntantes, poderá representar a “natimorte” das intenções teórico-filosóficas que se seguem.

- Mas, na moral mesmo, gostaria de dizer bem alto e claro que este escrito pretensioso quer soar mais como um release do que uma resenha. Ao invés de fazer um inventário retrospecto do que já foi ou ainda está, quer pensar uma história prospectiva, promovendo um convite ao que pode ser. Devir!

- A fecundação e gestação da Literatura Divergente é a prova confessa, sem sombra de dúvida, de uma divergência subjetiva de base que antecede o nascimento da linguagem enquanto concretude, ou seja, texto - gênero ou forma. Ou então Literatura Convergente.

- A cristalização final do texto da Literatura Divergente é um eterno porvir! Circunstancialmente, no entanto, sua fixação existe. Vamos então denominá-la objetivamente: trata-se do que já estamos chamando aqui Literatura Convergente.

- Como no rito do candomblé se chama o Orixá pelo conjunto primordial da fusão em convivência não hierárquica do texto verbal de seus cavalos, do ritmo do trio de atabaques (Rum, Rumpi e Le) e da gestualidade dançante do corpo negro – pare que ele se presentifique no barracão da cerimônia - também a “manifestação” da Literatura Divergente exige a ritualização a partir da convivência desierarquizada de seus elementos primordiais. Então, se manifestar literariamente de maneira livre supõe um transe fundador que permita a incorporação de suas potencialidades latentes. 

- E essas potencialidades pulverizam a centralidade das tradições oficializadas que privilegiam  a escrita como a razão de ser da literatura. Vale, então, dizer, logo, que a escrita, em si e somente, não dá conta das possilibilidades do fazer literário divergente. O primeiro e grande passo da Literatura Divergente é a reintrodução categórica da oralidade e outros "desvios de conduta" como elementos prenhes de potencialidades criadoras na literatura.

- Mesmo relevando-se a oralidade como valor fecundo na elaboração da textualide divergente, o binômio escrita-oralidade ainda não encerra as possibilidades híbridas da Literatura Divergente. Um sincretismo de base deve estabelecer seu lastro de possibilidades. O entrecruzamento é o lugar volátil a que almeja a textualidade da Literatura Divergente. A modalidade escrita e a oral podem tanto caminhar lado a lado como estabelecer uma cumplicidade criativa-expressiva com outras sonoridades, musicalidades, plasticidades, corporalidades, gestualidades...

- A obra literária em divergência dos cânones admite igualmente a incorporação de toda uma gama de possibilidades visuais e eletro-eletrônicas na sua formatação, promovendo, inclusive, o trânsito do desejo de imutabilidade tradicional para uma transitoriedade ou mesmo efemeridade ao gosto contemporâneo. O hibridismo, a efemeridade e a transitoriedade admitidos na Literatura Divergente deslocam o texto da superfície "inquestionável" da letra na página para variados registros e suportes, incluindo a instalação e a performance.

- Mas o que chamo de Literatura Divergente antecede o surgimento do conjunto de procedimentos e traços que a conformaria e delimitaria formalmente, embora devam existir em seu momento definidor, mas que não deixam de divergir de “verdades” mais amplas, julgadas “universais” pelos principais interessados. Refiro-me ao fato de que, voluntariamente, a razão de ser da postura literária divergente é o desvio dos cânones circunstanciais e conjunturais pré-estabelecidos e que se arrogam uma verdade universal com disfarces de naturalidade.

- A expressão Literatura Divergente não pretende, de maneira simples e de superfície, conceituar academicamente uma estética, embora esta seja uma consequência direta desta manifestação pelo simples fato de seu manifestante transitar simetricamente entre a casa e a rua, ou ainda, entre o universal e o particular. Vale atentar para o fato de o conceito Literatura Divergente que persigo aqui tratar da orientação não de uma, mas de múltiplas textualidades, fundadas em posturas que assumem o conflito como fim, desprezando, no seu eterno porvir, a comodidade cristalizadora da busca de síntese.

- A Literatura Divergente, no momento imediato de sua conformação enquanto linguagem (Literatura Convergente), não almeja ocupar um centro hegemônico qualquer, mas sim desrespeitá-lo. O descentramento do centro - paralelamente à desmarginalização da margem - é a substância de combustão que a impulsiona. Até o limite do estabelecimento da linguagem, pois a forma lhe nega na mesma velocidade e proporção em que avança em sua permanência. Na mesma medida em que se cristaliza, converge para uma comunidade determinada por semelhanças, ou seja, compõem um sistema literário partilhado e agregador.

- Muitas intenções estéticas e ideológicas “territoriais” desviantes em si cabem no frasco de rótulo Literatura Divergente: Homoerotismo, Negritude, Feminismo e outras orientações que têm se baseado num ideário que, mais cedo ou mais tarde, pode tender, pretender ou até mesmo se tornar paradigma central e transversal de sistemas literários em universos particulares (diferenças) em conflito com os universos globais (modelos).

- A Literatura Divergente, quando materializada nesse conjunto de ideias e/ou numa estética definida, é chamada aqui Literatura Convergente, e, assim, como tudo na experiência cultural da humanidade, essas ideias e procedimentos podem se tornar paradigmas; e suas obras fundar e/ou compor cânones. Mas a divergência (que é essencialmente potência) sempre migra, se estabelecendo em outras plagas, reinaugurando novas tensões e promovendo novos enfrentamentos, inclusive internos.

- A convergência pode sucumbir, por ser matéria; a divergência não sucumbe, por ser potência.

- A tendência das Literaturas Convergentes, que se encaminham para o estabelecimento e canonização, também podem orientar condutas, estabelecer modelos, fundar escolas e muito mais. Claro que não há, fundamentalmente, algum mal nisso. Apenas o abandono do “essencial” da potência da divergência (que, como eu já disse, sempre migra); e a tendência à afirmação coletiva da convergência.

- As denominadas posturas marginais da literatura são essencialmente Literatura Divergente, mas a “Literatura Marginal” pode deixar de ser Literatura Divergente.

- O desejo de textualidades negras são essencialmente Literatura Divergente, mas a Literatura Divergente pode não ser a “Literatura Negra” estabelecida.

- A fundação de uma condições literárias femininas são essencialmente Literatura Divergente, mas a Literatura Divergente pode não ser a “Literatura Feminina” consagrada.

- Assim sucessivamente...

- Logo, a Literatura Divergente não age no sentido de diluir, apagar, invisibilizar, negar, e nem mesmo nivelar as especificidades dos discursos pontuais: convergentes.

- O Conceito Literatura Divergente que defendo é minha tentativa de dar conta metodológica e discursiva a uma lógica que admite a disparidade. Seu maior fundamento, paradoxalmente, é nunca fixar leis e sempre desobedecer às cristalizações.

- O fato de um escritor nomear sua própria obra de Literatura Negra, por exemplo, não o impede de circunstancialmente ter pertencido ao conjunto heterogêneo das intenções gestadas no útero fecundo da Literatura Divergente.

- Assim sucessivamente...

- A Literatura chamada aqui de divergente não é resultado da imposição de nenhuma hierarquia de poder, mas fruto de uma escolha direta e consciente do escritor.

- A definição e orientação da Literatura Divergente podem estar manifestas fora ou dentro do espaço significante da textualidade desde que defina condutas desviantes individuais ou coletivas.

- Então os elementos determinantes da Literatura Divergente podem centrar-se nos seres históricos e/ou nas suas expressões. Nas conjunturas ou na textualidades. Localizadas e datadas ou indefinidas e atemporais.

- Querer fazer literatura, mesmo carregando um corpo físico oriundo dos bolsões de miséria e pouco letramento oficial e normativo, é um desejo social potencialmente divergente!

- Abordar a invisibilidade, a anulação, o castramento e a morte pela percepção e expressão do condenado em vida, pela cegueira social, pela diluição da diferença, pelo impotência do gênero ou pelo extermínio físico é divergir das estratégias literárias consagradas historicamente “de fora pra dentro e cima para baixo".

- O que a Literatura Divergente quer não é, exatamente, diluir fronteiras. Muito menos - como já me disseram por aí, mesmo antes de minha formulação conceitual inaugurada aqui - ser mais um complicador de uma demanda já complicada que é a definição de conceitos que deem conta metodológica dos fazeres literários que surgem justamente do desejo de desvio das tradições universalizadas de cima para baixo. As obras literárias desviantes dos cânones oficiais - como pensam e defendem por aí - não nascem e se desenvolvem como flores do campo cuja beleza prescinde da ordenação legitimadora da cultura e sua função desconhece a ideologia dos jardins.

- A consciência de si e de sua linguagem são também elementos definidores da condição estética da arte e da postura libertadora do artista.

- Por ser divergente, sinceramente, o objetivo central dessa manifestação, pasmem!, é dialogar com as mentes literárias divergentes, e não com os críticos, meta-críticos, meta-meta-críticos... amigos, editores, mecenas, protetores, sócios, capitalistas e ongueiros... nem com os escritores meta-metidos! Todos leões fiéis a guardar a “lei da escrita e de sua permanência” que, segundo eles, estabelece a “textura de excelência e o para sempre” dos clássicos pelos seus méritos desde Homero.

- Repito: não entendo o conceito Literatura Divergente como complicador. Também aqui podemos separar o ouro da areia drenados do mesmo córrego. Não para sublimar um em detrimento do outro, mas para esculpir as jóias para o conforto subjetivo da alma; e edificar paredes para a proteção da concretude do corpo.

- Compreender - com rapidez e superficialidade - o conceito Literatura Divergente como simples redundância de conceitos já em voga (como Literatura Marginal, Literatura Periférica, Literatura Maldita, Literatura Proscrita, Literatura Maloquerista, Litera-Rua...) implica na mesma simplificação redutora e enganadora da afirmação que o conceito Ser-Humano é pura redundância dos conceitos Negro, Branco, Índio, Oriental, Ocidental, etc.

- Muita retórica e pouco esclarecimento! Muita ideologia e pouca historicidade! Muito mais dissimulação ainda!

- Todos são humanos!  Não é assim que dizem? Uma verdade incontestável! Mas... são todos Negros? Índios? Ocidentais? Orientais?

- A quem será que interessam os valores e verdades universais?

- A quem será que interessam os valores e verdades particulares?

- Vale a pena concluir o óbvio mais uma vez: todos são igualmente humanos, mas nem todos os humanos são exatamente iguais!

- Tudo muito simples: é preciso determinar o que contém e o que está contido. Ou ainda: o que diverge de que, e o que converge com que!

- Na Literatura Divergente cabem as gêneses de todas as Literaturas Convergentes; enquanto na Literatura Convergente não cabe toda a Literatura Divergente, porque esta é infinita nas possibilidades e incontável nas renovações.

- Literatura Convergente, ainda conforme o uso feito aqui, são as literaturas que se estabelecem em torno de “paradigmas particulares estigmatizados”, porém que não estão alinhadas em acordo com os “paradigmas particulares oficializados” e pretensamente universais. Isto é o que se costumou a chamar de literatura acadêmica, literatura nacional, literatura estadual, literatura municipal, ou então, genericamente, literatura canônica.

- Vê-se acima que também o “universal”, “modelo” imposto verticalmente, sofre recortes e mais recortes que os individualiza na economia das trocas simbólicas.

- Repetindo: a literatura canônica se dá quando seus manifestos, justificativas e fundamentações teóricas fundam-se, comumente, ou postulam um programa estético, e, primordialmente, seus adeptos, escritores e teóricos, identificam-se com os tais universais.

- Assim considerda, a divergência situa-se nas contra ideologias, porém sem, potencialmente, consagrar-se como síntese, o que pode ocorrer com a estética da Literatura Convergente!

- As Literaturas Convergentes assim estão denominadas aqui porque convergem para um plano ideológico e/ou estético, como já foi dito. Muita lábia tem se gastado dentro e fora da academia, perto e longe da quebrada, na tentativa de se estabelecer os limites, aproximações e distanciamentos entre essas convergências. Muita política, muita economia, muita tabela de cossenos e muita malandragem se infiltram nesse “meu pirão primeiro”. Mas um de seus fatores vitais ainda não foi desdobrado: em que consiste essas estéticas formalmente falando?

- Quem vai se debruçar sobre os textos, agora que já localizamos a região, o endereço, a origem social, o sonho, o delito, a etnia, a raça, o gênero e a orientação sexual dos escritores(as)?

- Quem vai mostrar que, mesmo internos nessas categorias distintas, e mesmo quando não modelares, pode persistir nos seus agentes um sonho de sucesso acadêmico, comercial, cultural, político, amoroso, ainda pautados pelos modelos de sucesso canônicos?

- Quem vai encarar esse modelo de mercado simbólico onde, a depender da oferta e da procura, cada categoria tem seu valor superdimensionado - e essencializado - em detrimento do valor do outro – e do seu respectivo rebaixamento?

- Quem vai ouvir a voz central e transversal da divergência – um universal em contradição com os universais predominantes – única em sua beleza feita de fragmentos oriundos da urgência vital das estéticas convergentes?

- As Literaturas Convergentes podem se agrupar em torno da Raça, do Gênero, da Classe, da Religião, da Sexualidade, e por aí afora... Também podem redefinir o uso da língua, a apropriação de imagens, enumeração de ritmos, variação de metros, seleção de sonoridades e frequências. Além de veiculação diferenciada de ideias, valores, intenções, suportes e posturas.

- As Literturas Convergentes podem tanto desobedecer modelos no interior das linguagens escritas  como desrespeitar fronterias, fundindo-as com a fala, a prosa, o canto, a mímica, a dança, a pintura - e o que mais for - em hibridismo  fundadores.

- As Literaturas Convergentes, cada qual de seu modo, divergem dos modelos canônicos universais que geralmente são impostos – na busca de perpetuação - pela cultura oficial. Sempre na perspectiva cultural, de classe, de raça e de gênero de grupos e elementos universalizados pelo jogo dos poderes!

- Fazer Literatura Feminina é convergir rumo ao sentido das demandas do gênero feminino; e divergir da centralidade violenta de um mundo masculinizado.

- Fazer Literatura Indígena é convergir no sentido das demandas étnicas particulares; e divergir da centralidade violenta de uma concepção de mundo euro-centrada.

- Assim sucessivamente...

- A Literatura Divergente não formata um movimento centrado e monolítico. Ao contrário, permite um conjunto de blocos autônomos que se estabelecem e permanecem numa conjuntura de descentramentos, repelindo qualquer tendência universalista.

- Arquipélagos que, vez ou outra, se chocam, se fragmentam, redividem, se afundam ou se fundem. É essa a metáfora paisagística possível, para se visualizar a beleza da Literatura Divergente e seus operadores concretos complementares: as Literaturas Convergentes.  

- Na minha verdade, vejo que a Literatura Divergente é responsável pela pulsão íntima que engendra a textura das obras da Literatura Convergente. Porém, dado seu sopro de vida, ainda no limite da linguagem, retoma de sua condição abstrata essencial.

- Ser um Ser da Literatura Divergente, então, no sentido metafísico, é ser potencialmente refratário às catalogações universalistas oficializadoras; no sentido político, é estar apto a tematizar valores e conteúdos de maneira a tensionar as "harmonias" estatebelecidas pela cetralização de tradições particulares; no sentido físico, é praticar uma estética que permita traições à modalidade escrita, recuperação da oralidade e promoção de hibridismos que desrecalquem as diversidades soterradas e inaugurem formas de expressão.

- Por isso mesmo, a Literatura Divergente é um instrumento circunstancial de luta para distinção e respectiva afirmação das diferenças – subjetivas e materiais - que parte de uma potência partilhada (divergência) e se consagra numa estética particular (convergência). Logo sua conformação estética e sua consequente aderência a um coletivo social (Literatura Convergente) não representam uma contradição, senão o sentido último do desejo de expressão de pertencimento e cidadania diferenciada que moveu a obra e seu agente em direção à prática de uma literatura transgressora, descolonizadora, experimental e prospectiva.

- A dialética racional da síntese como reciclagem não dá conta do fenômeno da Literatura Divergente, pois suas cristalizações são cubos de gelo uniformizados nas possibilidades de solidificação e liquefação, aparentemente imperceptíveis, mas de metabolismos diferenciados.

- A Literatura Divergente ensaia no palco do conflito! A pulsão de enfrentamento é sua morada!

- Muito fala e reencena a balança eterna dos movimentos literários. Esse discurso se estabelece sobre as práticas que, ao longo dos tempos, revezam-se no topo da pirâmide das “particularidades universalizadas”. Ora se sustenta na base épica, clássica; ora se sustenta no solo lírico, romântico. Assim nos apresentam a linha histórica da literatura “universal”: uma gangorra binária atrofiada para além do par mínimo que lhe define historicamente. Mas, como disseram - e eu acredito - que a realidade é sempre um ponto de vista, esse binarismo tem se distorcido diante de nossos olhos entortados pela divergência.

- Bem de perto, os cristais perdem a verdade de sua inteireza quando vistos de forma que se permita a observação de sua independência atômica; elementos microscópicos independentes, isolados e em constante movimento. Visto bem de longe, a olho nu, o avião parece parado no ar!

- A Literatura Divergente sempre existiu, assim como os excessos e as insuficiências do olhar.

- O que se pretende aqui não é persuadir (pois já disse que falo primordialmente às mentes divergentes), mas celebrar a ousadia e o empenho dos que, conscientemente, pautam sua poética - de auto compreensão e auto representação - na possibilidade do desalinho construtivo, ou, se preferirem, na lógica disforme da ruptura, do hibridismo e da simultaneidade, amortecendo os choques bruscos das tradições culturais monolíticas.

- Ou então, digamos, simplesmente, que a Literatura Divergente é um “querer ser” que habita as Encruzilhadas. Sua função de fazer o Movimento e estabelecer a Comunicação dos divergentes faz com que ela manifeste sua potencialidade no corpo físico de seus cavalos mais diletos: as Literaturas Convergentes.

- Assim se estabelece a analogia que nos faltava até aqui: nosso EXU Divergente não aceita em seu padê as confluências acomodadoras da dialética (mesmo invertida, revertida ou relativizada), apenas e simplesmente porque sua morada única é a dispersão paradoxal que só se encontra na tensão da Encruzilhada.

- Enfim, o que faço concretamente aqui é o elogio da divergência, da possibilidade de se seguir caminhos próprios, mesmo que perigosos em sua independência altiva.

- Uma constatação ego-centrada: o que faço nos meus cadernos sujos é também Literatura Negra, viu! Minha convergência se dá com meus pares na linha direta da Negritude. Mas não penso que todas as convergências se irmanam à minha, tá!

- É daquele jeito: convirja lá que eu convirjo cá, mesmo que a divergência nos convirja em alguma linha conceitual qualquer (à nossa revelia)!


Bahia Preta / Setembro de 2012




segunda-feira, 23 de julho de 2012



         Criança, escola e candomblé: uma relação delicada

    Jornalista Stela Guedes Caputo lança em Salvador, em uma série de eventos, o livro Educação nos Terreiros: e Como a Escola se Relaciona com as Crianças de Candomblé 

Durante duas décadas, a jornalista e professora carioca Stela Guedes Caputo acompanhou um grupo crianças iniciadas nos candomblés da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. E investigou como elas se relacionavam com questões como fé, tradição, preconceito e  educação. O resultado deste longo e interessante trabalho culminou numa tese de doutorado na UFRJ e no livro Educação nos Terreiros: e Como a Escola se Relaciona com as Crianças de Candomblé (FAPERJ-Pallas), que a autora lança em Salvador numa série de atividades entre os dias 29 de julho e 04 de agosto.  

O roteiro baiano de Stela prima pela diversidade, com encontros com públicos de diferentes perfis e com pesquisadores, educadores, ativistas e religiosos baianos. No domingo (29) ela estará na Bilbioteca Infantil Monteiro Lobato, em Nazaré, dentro da programação do Sarau Bem Legal. Na terça (31), vai à UNEB-Cabula, e no dia seguinte, quarta (01/08), participa do Sarau Bem Black, no Sankofa African Bar, Pelourinho. Na quinta (02/08), o encontro será no CEPAIA-UNEB no Santo Antônio. Nos dois últimos encontros a autora se encontra com o povo de santo: na sexta (03), ela conversa com a comunidade da Casa de Oxumaré, na Federação, e na sexta (04), na Casa Branca, situada na Vasco da Gama.

Além do lançamento, o objetivo geral da semana é debater a questão da intolerância religiosa nos meios educacionais oficias e os paradigmas que orientam a educação nas comunidades religiosas de origem africana. O primeiro contato direto de Stela com o tema começou no ano de 1992, quando ela escreveu a reportagem Os Netos de Santo para o jornal O Dia. A partir de então, afirma, duas questões básicas passaram a acompanhá-la: a diversidade na escola e a importância de outros espaços de educação fora da escola formal.  

“Nunca mais saí dos terreiros e me tornei amiga do tempo, porque foi preciso tempo para gestar esse livro. Muita gente maravilhosa escreveu sobre candomblé, mas sobre crianças em candomblé eu nunca achei livro algum. As crianças cresceram e tenho orgulho e gratidão por ter estado nessa caminhada. No livro partilho um pouco do que me ensinaram nas casas de candomblé, tanto as crianças e jovens como suas famílias. Partilho também o que vi de discriminação e racismo nas escolas”, afirma.

O ciclio de eventos é uma iniciatva do coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia e tem o apoio estratégico da Fundação Pedro Calmon e da Secretaria de Cultura da Bahia. Conta com parceria essencial da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, do Centro de Estudos da População Afro Índia - CEPAIA, dos Terreios Oxumaré e Casa Branca, além do Sankofa African Bar.

O livro - Educação nos Terreiros: Como a Escola se relaciona com Crianças de Candomblé 

Seguir a religião de seus pais é um dos primeiros caminhos que uma criança toma em sua existência. A integração de uma família em uma religião, no caso, o candomblé, revela a essa criança a razão de sua existência e a auxilia a superar obstáculos. "Educação nos Terreiros" abre um caminho para analisarmos a herança religiosa familiar e o candomblé como uma religião que marca o encontro de pessoas de vários matizes, adultos e crianças, compondo um núcleo de trabalho social e religioso.
Stela Caputo realizou uma pesquisa cuidadosa e detalhada, produto de vários anos de contato com a realidade do candomblé do Rio de Janeiro. Neste livro, ela discute a inserção dessas crianças na escola pública brasileira e a perspectiva de uma ação pedagógica deseducativa no que refere ao trato da diversidade religiosa nas salas de aula. Grupos religiosos hegemônicos e de matriz cristã, apoiados no artigo 33 da Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases, têm extrapolado o que diz a própria lei e implantado um clima de opressão à liberdade de expressão para muitas crianças, adolescentes, jovens e adultos negros e brancos, praticantes do candomblé e de outras religiões cuja base não é a judaico-cristã.  
(Divulgação - www.pallaseditora.com.br)

A autora - Stela Guedes Caputo

Jornalista, trabalhou no Jornal O Dia e em jornais sindicais. Fez mestrado e doutorado na PUC-Rio e pós-doutorado na UERJ. Hoje é professora da Faculdade de Educação da UERJ. No jornal O Dia, em 1993, recebeu com a equipe em que trabalhei, o prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos. Em 2006 publicou o livro Sobre entrevistas (Vozes). 


PROGRAMAÇÃO

Domingo 29/07 10h - Biblioteca Infantil Monteiro Lobato – Nazaré
Coordenação: Rosane Rubim (3117.1433)
Mesa: Stela Guedes Caputo (UERJ), Maria Anória (UNEB), Jaime Sodré (UNEB), Nelson Maca (UCSal)

Terça-feira 31/07 14h - Universidade Estadual da Bahia (UNEB) - Campus do Cabula
Auditório Jurandyr Oliveira – DEDC1
Coordenação: Carla Liane (UNEB)
Mesa: Stela Guedes, Estélio Gomberg (UFBA), Ricardo Freitas (UNEB)
Inscrições: http://www.uneb.br/salvador/dedc/eventos/

Quarta-feira 01/08 19h - Sarau Bem Black - Sankofa African Bar – Pelourinho
Coordenação: Nelson Maca (9130.4618)
Lançamento e bate papo com o público

Quinta-feira 02/08 15h - Centro de Estudo das Populações Afro-Índias (CEPAIA-UNEB) 
Coordenação: Claudia Rocha (3241 0811\ 0840\0787)
Mesa: Stela Guedes, Claudia Rocha (UNEB), Valdélio Santos Silva (UNEB)

- 03/08 – Terreiro Casa de Oxumaré, Federação, 19h 
Coordenação: Rita Santos (9198.5923)
Mesa: confirmar participantes
*Traje: roupa branca ou de tonalidade clara

- 04/08 – Terreiro Casa Branca, Vasco da Gama, 17h 
Coordenação: Rita Santos (9198.5923)
Mesa: confirmar participantes

Realização: Blackitude: Vozes Negras da Bahia
Coordenação geral: Nelson Maca / Contato 91304618
Parcerias: Biblioteca Monteiro Lobato; Casa Branca; Casa de Oxumaré; CEPAIA – UNEB; Sankofa African Bar
Apoio: Fundação Pedro Calmon; SECULT-BA

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segunda-feira, 7 de maio de 2012




SARAU BEM BLACK +
SEMANA DE LETRAS DA UCSal +




Queria divulgar aqui alguns eventos da XIII Semana de Letras da UCSal. A semana é de responsabilidade do Centro Acadêmico de Letras, ou seja, realizada pelos alunos da isntiuiçãoe  que se inicia hoje!

Espero sinceramente contar a presença de vocês, pois tem a ver com questões que encaramos no nosso dia a dia de ativistas, estudiosos, professores, alunos, etc.

Quem quiser saber a programação toda pode acessar o site da UCSal – www.ucsal.br
As inscrições são feitas na própria UCSal, há ações abertas (de graça) e outra fechadas (pagas).

DESTAQUES

1- OFICINA DE TECNICAS DE CONTAÇÃO DE ESTÓRIAS
- Terça feira, 8/5 (Manhã)

Com Toni Edson – (Doutorando – UFBA)

Ator, escritor, compositor e professor, Toni Edson trabalhará algumas técnicas teatrais utilizada na contação  de estórias africanas e afro-brasileiras .

2- AFROCONTOS, AFROCANTOS
– Terça feira, 8/5 (Noite / 19h)

Com debate após a apresentação!

Com direção e atuação de Toni Edson, a peça é composta por contos e cantos africanos e afro-brasileiros. A entrada custa R$ 5 e os lugares são limitados a 100 pessoas. Quem quiser garantir seu lugar antecipado, pode fazer contato comigo aqui mesmo no email e botar o nome na lista.

3- MINI CURSO DE POESIA E GÊNERO
– Quinta feira 10/5, (Manhã)

Com Cristiane Sobral (Faculdade Dulcina - Brasília)

Convidada especial da XIII Semana de Letras da UCSal, Cristiane Sobral é escritora atriz e professora universitária. Aproveita para lançar em Salvador seu último livro: “Não vou mais lavar os pratos” (poemas – R$15)

4- MINI CURSO SOBRE A POÉTICA DE CRISTIANE SOBRAL
– Quinta feira, 10/5 (Noite)

Com Lívia Natália (UFBA)

Poeta e professora universitária de Teoria da Literatura, Lívia Natália abordará alguns elementos expressivos e identitários da escrita poética de Cristiane Sobral. Lívia aproveita a ocasião para autografar seu livro: “Água Negra” (poemas – R$15)

5- MINI CURSO SOBRE AS RELAÇOE ENTRE CINEMA E LITERATURA
– Quinta feira, 10/5 (Noite)

Com Claudio Novaes (UEFS)

Escritor, pesquisador e professora universitário, Claudio Novaes abordará alguns elementos envolvem a relação entre as narrativas cinematográficas e literárias. Claudio assinará seu livro "Aspectos Críticos da Literatura e do Cinema na Obra de Olney São Paulo".

6- MINI CURSO SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE POESIA E MÚSICA
–  Quinta feira, 10/5 (Noite)

Com Nelson Maca (UCSal)

Sou poeta, professor universitário e ativista do Movimento Negro. Abordarei a chamada poesia musical, principalmente nos textos que buscam uma identidade negra através da oralidade urbana contemporânea.

7-  MESA DE ENCERRAMENTO – A POESIA FEMINIA
– Sexta feira, 11/5 18h

Com as poetas Cristiane Sobral (Brasília), Lívia Natália (BA) e Mel Adún (Bahia)

Debate sobre a poesia feminina brasileira hoje. As três poetas da mesa assinaram suas obras:
“Água Negra” (Lívia Natália), “Não vou mais lavar os pratos” (Cristiane Sobral) e “Cadernos Negros” / Coletânea (Mel Adún)

8- SARAU DA UCSAL- ENCERRAMENT DA XIII SEMANA DE LETRAS
– Sexta feira, 11/05 (Noite)

Sarau com microfone aberto  à plateia!
Participação: Cristiane Sobral, Mel Adún e Lívia Natália

Com Respeito,
Nelson Maca

Nelson Maca

segunda-feira, 26 de março de 2012

Livro: Pode Pá Que É Nóis Que Tá

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PODE PÁ QUE É NÓIS QUE TÁ
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Acabo de receber meu exemplar do livro "Pode pá Que é Nóis Que Tá", organizado pelo parceiro Rodrigo Ciríaco e pela rapa 100% do Sarau Dos Mesquiteiros.

Muito bom!!

Uma emoção ser lembrado para esse timaço tão amplo e diverso. Uma edição bem cuidada e descoladíssima! Toda a rapa vale a pena conhecer hein, mas, para os interessados na cena literária independente, é obrigatório!

One Love!

Nelson Maca

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PODE PÁ QUE É NÓIS QUE TÁ
Antologia de poesia e prosa

Projeto Literatura (é) Possível / Sarau Dos Mesquiteiros

SARAU DOS MESQUITEIROS PUBLICA PRIMEIRA ANTOLOGIA LITERÁRIA Com 54 escritores, a antologia organizada por Rodrigo Ciríaco será lançada no próximo sábado Compartilhar a paixão pela literatura. Esse foi o primeiro objetivo do projeto Literatura (é) possível, criado em 2006 pelo educador e escritor Rodrigo Ciríaco, numa escola pública da zona leste da periferia de São Paulo. Pode-se dizer que o trabalho está dando certo. Em 2009 surgem Os Mesquiteiros, coletivo cultural formado por jovens e adolescentes da comunidade do Jd. Verônia (Ermelino Matarazzo) que fortalecem e dão nova dinâmica ao projeto. E agora em 2012, entre saraus, encontros literários, espetáculos teatrais e a criação de um selo literário, surge então a primeira antologia do Sarau dos Mesquiteiros: “Pode pá que é nóis que tá”. A expressão cotidiana dá título a obra de poesia e prosa que reúne 54 autores, sendo 30 homens – sete nunca publicados – e 24 mulheres – 16 nunca publicadas. Com o projeto gráfico feito por Silvana Martins (Sarau da Ademar), a obra é viabilizada com recursos do programa VAI e contempla não somente o livro, como oficinas de literatura e teatro, bem como o recém-lançado livro de contos, o “100 mágoas” do autor e criador do projeto, Rodrigo Ciríaco. O livro chega então dividido em quatro capítulos que trazem, expressamente, títulos de canções do rap nacional como “Antigamente Quilombos, Hoje Periferia”, do grupo Z´África Brasil. “Ainda Há Tempo”, do Criolo. “Vida Loka”, dos Racionais MCs e “Fogo no Pavio”, do rapper e também poeta GOG. “Além de acreditar que os títulos tem uma relação com o conteúdo de cada capítulo, foi uma maneira de homenagear e lembrar a cultura hip-hop e a sua importância para o movimento de literatura marginal – periférica”, destaca Ciríaco. A miscelânea de estilos e autores fica por conta da diversidade, onde os estreantes, hoje com 12 ou 13 anos de idade encontram-se com já consagrados autores, com até 20 anos de estrada. “Pode Pá que é Nóis que Tá” é uma obra única por isso. “Respeitamos a caminhada, a história de todos, por isso, ao invés de destacá-los por suas histórias, destacamo-los por seus contos, seus poemas. Por seu trabalho literário. Aqui, isso é o que conta, o que importa.E todos são igualmente importantes. Pois todos escrevem a literatura possível. todos mostram que a literatura é possível”, enfatiza o idealizador. Desta forma, o livro é também uma referência para se trabalhar em escolas, associações e saraus que apresentam a diversidade literária, se transformando num multiplicador do projeto Literatura (é) Possível. Serviço - O lançamento do livro acontece no próximo sábado – 25 de fevereiro – das 17h às 20h no Sarau dos Mesquiteiros na Escola Estadual Franco Mesquita, localizada a rua Venceslau Guimarães, 581, Ermelino Matarazzo. Mais informações podem ser obtidas nos sites www.mesquiteiros.blogspot.com e www.efeito-colateral.blogspot.com RELEASE - Por Jéssica Balbino (Colaboração: Rodrigo Ciríaco) SARAU DOS MESQUITEIROS SÁBADO, 25/02/12 DAS 17HS AS 20HS LANÇAMENTO: PODE PÁ QUE É NÓIS QUE TÁ ANTOLOGIA DE POESIA E PROSA Projeto Literatura (é) Possível Realização: Os Mesquiteiros Edição e Organização: Rodrigo Ciríaco Projeto Gráfico: Silvana Martins Colaboração: Amanda Djoy, Érica Peçanha, Ingrid Hapke, Mayra Jóia, Tainá de Castro e Vanessa Freitas Apresentação: Jéssica Queiroz Orelha: Ingrid Hapke Posfácio: Rodrigo Ciríaco Crédito das Imagens: Bruno Pere, Marcelo Castro, Mônica Cardim e Os Mesquiteiros Apoio: Programa VAI Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo Participam: Akins Kinte Alessandro Buzo Allan da Rosa Amanda Djoy Andrio Candido Beatriz Mendes Binho Bruna Cunha Bruno Arruda Camila Freitas Camila de Jesus Carlos Galdino Célia Reis Cocão – Versão Popular Daniel Santoro Dinha Dugueto Shabazz Emerson Alcalde Elizandra Souza Fabio Boca Fanti Manumilde Fernando Cruz Gabriela Maria Gabryella Letícia Gáspar – Z’África Brasil GOG Henrique Costa Ingrid Hapke Janaina Santana Jéssica Balbino Jéssica Queiroz Jhoni Medrado Maely Freitas Mano Teko Marcelino Freire Maria Angélica Mayra Jóia Michel Yakini Monica Cardim Nelson Maca Priscila Magalhães Raquel Almeida Ricarda Goldoni Roberta Estrela D’Alva Rodrigo Ciríaco Rodrigo Sousa & Sousa Sacolinha Samuel Secio Sarau da Brasa Sérgio Vaz Tubarão Vander Che Vanessa Freitas Victor Rodrigues Sábado, dia 25 de fevereiro Das 17hs as 20hs no Sarau dos Mesquiteiros.

(DIVULGAÇÃO - Rodrigo Ciríaco)


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domingo, 25 de março de 2012

Vera Lopes Manda Avisar

Sopapo Poético

Ponto Negro da Poesia


"Povo,

no Brasil existe um número expressivo de saraus de poesias, destacando-se atualmente o Sarau da Cooperifa de São Paulo e o Sarau Bem Black de Salvador. No mesmo compasso, um grupo de pessoas negras de Porto Alegre está mobilizada para promover a poesia negra falada/cantada no Sul do país, integrando outros elementos artísticos que referenciem a cultura e a resistência negra africana e da afro-diáspora.

A primeira edição será na próxima terça, dia 27 de março de 2012, às 20:00, na sede da Associação das Entidades Carnavalescas, na Av. Ipiranga, nº 311, entre a Praia de Belas e a Múcio Teixeira.Toda última terça-feira do mês, a Associação das Entidades Carnavalesca, se transformará no "ponto negro da poesia”, nosso ponto de encontro, local onde aqueles e aquelas que já conhecem e gostam da arte negra, possam:encontrar/trocar/tocar/cantar/falar com quem, ainda, não possui esse hábito/gosto.

Esperamos todos e todas no nosso 'Ponto Nefgro de Poesia'."

ENTÃO:

Evento: Sarau de Poesia Negra

Quando: 27/03/2012 - Terça-feira
Horário: Das 20hs às 22hs

Local: Av. Ipiranga, 311 – Associação das Entidades Carnavalescas

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