segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Duas Negras Fulô. Escolha a sua, Nêgo!

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Ou então, esqueçam tudo que eu disse no post anterior, e leiam apenas isso:

Uma:
Essa Negra Fulô (Jorge de Lima / acima)

Ora, se deu que chegou / (isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô / uma negra bonitinha, / chamada negra Fulô.

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! / (Era a fala da Sinhá)
- Vai forrar a minha cama / pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar / a minha roupa, Fulô!

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Essa negrinha Fulô! / ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá, / pra engomar pro Sinhô!

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! / (Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô, / em abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô! / Vem coçar minha coceira,
Vem me catar cafuné, / Vem balançar minha rede,
Vem me contar uma história, / Que eu estou com sono, Fulô!

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

“Era um dia uma princesa / que vivia num castelo
que possuía um vestido / com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato / saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou / que vos contasse mais cinco”

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! / Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô! / “minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou / pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou”.

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! / (era a fala da Sinhá
chamando a negra Fulô!) / Cadê meu frasco de cheiro
Que teu Sinhô me mandou? / Ah! Foi você quem roubou!
Ah! Foi você quem roubou!

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

O Sinhô foi ver a negra / levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa, / O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu / que nem a negra Fulô).

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! / Cadê meu lenço de rendas,
Cadê meu cinto, meu broche, / Cadê o meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou? / Ah, foi você quem roubou!
Ah, foi você quem roubou!

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

O Sinhô foi açoitar / sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia / e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou / nuinha a negra Fulô.

Essa negra Fulô! / Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô! / Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso senhor me mandou? / Ah Foi você quem roubou,
Foi você, negra Fulô. / Essa negra Fulô!


A outra
Outra Negra Fulô (Oliveira Silveira / acima)

O sinhô foi açoitar
a outra nega Fulô
- ou será que era a mesma?
A nega tirou a saia
a blusa e se pelou
O sinhô ficou tarado,
largou o relho e se engraçou.
A nega em vez de deitar
pegou um pau e sampou
nas guampas do sinhô.
- Essa nega Fulô!
Esta nossa Fulô!,
dizia intimamente satisfeito
o velho pai João
pra escândalo do bom Jorge de Lima,
seminegro e cristão.
E a mãe-preta chegou bem cretina
fingindo uma dor no coração.
- Fulô! Fulô! Ó Fulô!
A sinhá burra e besta perguntava
onde é que tava o sinhô
que o diabo lhe mandou.
- Ah, foi você que matou!
- É sim, fui eu que matou –
disse bem longe a Fulô
pro seu nego, que levou
ela pro mato, e com ele
aí sim ela deitou.
Essa nega Fulô!Essa nega Fulô!

5 comentários:

lindinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mitchela disse...

Olá Nelson! Tudo bem? Seu blog tá muito interessante. Quanto as Negras Fulô, escolho a Negra Fulô de Oliveira Silveira. O poema apresenta a negra reagindo aos assédios do senhor.
Abraços
Mitchela

Nelson Maca disse...

Oi Mitchela!
Que saudade!
Bem vinda ao nosso blog!!
Mande colaborações!!

De 21 A 25 de novembro, vamos promover um seminário-espetáculo de Literaura negra no Pelourinho.
Apareça!

com Respeito!

Flávia do Aldino disse...

Nelson,

em que livro foi publicado o poema do Oliveira Silveira? E o ano, você saberia me dizer?

Grata!

Raquel disse...

Olá, Nelson...adorei o blog...
hehehehe realmente na prática fica mais fácil comparar os dois tipos de literatura!! bem didático....rsrsrs
um abração