Na real, nunca liguei muito para esta data, e para as demais. Natal, dia disso, dia daquilo, foram se apagando em minha mente na medida que eu fui construindo minha rebeldia: preta e insubmissa.
Mas a vida é a vida...
E temos que pagar o preço da passagem...
Então, começamos a experimentar coisas que, na real, não previmos, não escolhemos...
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Não a minha própria: tô vivão ainda!
Mas a de parceiros e parceiras queridos que se vão, aos poucos, se despedindo das esferas de cá...
Muitos nos deixam de surpresa, assim, de uma hora pra outra, sem, ao menos, dar um pequeno prenúncio, fazem a mala e partem.
Mesmo em silêncio, nos deixam a incumbência de dar prosseguimento às suas obras, ao desmanche do castelo racista, à implosão do palácio colonial que se edificou daninho dentro de nosso peito sem catedrais...
E aí não teve jeito, lembrei, novamente, de meu mestre querido e ao lado, Luis Orlando da Silva: The Rasta Man Vibration!
Inevitavelmente, choro, ainda meio escondido entre os escombros deixados no meu peito pelo irmãozão grande meu...
Aliás, nem sei porquê, pois tudo nele, para mim, representou força, vida e, acima de tudo, apesar de sempre quase rude, foi só alegria e Negritude para mim.
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Também tenho experimentado a experiência da vida com mais intensidade.
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Outro dia, encontrei umas daquelas professoras universitárias mal amadas, burguesas e afrancesadas, num dos corredores da minha antiga universidade.
Quase ela me trucida quando disse que não terminei minha dissertação (em duas ocasiões!! Rsrsr).
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Minhas filhas, minhas obras completas!!
Felizmente, Deu tempo d'elas conviverem com o Luis Orlando da Silva.
Serem, tal qual o pai, inoculadas pelo vírus da consciência, conhecimento e auto-estima.
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Só ele mesmo poderia ter dado a elas suas primeiras bonecas pretinhas.
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brincando com tantas bonecas pretinhas que têm, e me lembro dele, também avô, como eu, desses brinquedos que ajudam a semear o nosso amor próprio.
Da mesma semente que L.O. semeou entre nós.
Quem sabe, sabe!
Luís, meu velho camarada, não é saudade,
Irmão, é Amor o que sinto por ti.
Nelson Maca –
um sorriso nos lábios, duas lágrimas nos olhos
e o punho cerrado ao ar como você me ensinou, Black Panther!!


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Blackitude: Vozes Negras da Bahia

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Sérgio Vaz






"Salve Professor!"...

