quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lançamento: A rima denuncia - G.O.G

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A rima denuncia

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A Global Editora leva às livrarias o primeiro livro do rapper brasileiro GOG, A rima denuncia. Trata-se de uma organização seletiva das letras das canções do rapper que revoluciona, desde os anos 1980, o nosso conceito de educação em uma sociedade igualitária por meio do hip hop nacional.

A rima denuncia é mais uma demonstração, sem massagens, do que é capaz um povo para não se deixar dominar; é história com veneração pelas palavras. Remete-nos como por encanto a sonoridades de uma cidade que já não se esconde, silenciada e violada pela corrupção, o povo de Brasília, a capital do mensalão. A busca racional das palavras sugerindo brechas para uma nova sociedade não autoritária e excludente, que permita ao seu povo uma vida justa e decente. Neste livro-vinil, o leitor encontra elementos do socialismo nordestino, como o construído por Zumbi e Antônio Conselheiro, além do pan-africanismo cerrado proclamado por Malcolm X e Mandela, resignados por GOG como projeto de sociedade.

Para Hamilton Borges Walê, que se apresenta como poeta maloqueiro, coveiro amador, GOG inaugura uma nova escola, também fora de seu tempo, lançando rimas como luzes nessa louca maré de racismo, sexismo e capitalismo.

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Dividido em oito capítulos, o livro aborda diferentes fases do artista. A publicação pode ser lida como um retrato da música negra feita nas cidades satélites do Distrito Federal nos últimos anos, sendo o autor o personagem principal. Quem condicionou e deu sentido correto às intenções de GOG no texto foi ninguém menos do que o professor de literatura Nelson Maca, um dos ativistas negros do movimento da Bahia, “Uma coisa é ouvir a letra; outra, ler o texto. O Nelson nos ajudou nessa tradução das frases, que, dependendo da pontuação, podem expressar emoções e mensagens diferentes”, destaca o rapper.

Com jeito de quem dispensa os louros da fama, GOG busca explicitar o seu tratamento com o público: “Não faço show, celebro. Celebrar deixa saudade, traz a ideia de união em torno de um momento. Na celebração você bate papo, desmistifica o artista. É diferente de sair de casa, fazer um evento, voltar e nem olhar a comunidade”, argumenta o autor em entrevista ao jornal Correio Brasiliense.

Aos 45 anos, ou “4.5 turbinado”, como prefere dizer, o rapper defende que a educação é uma área de seu interesse. Filho de professora, costuma dizer que estudo é escudo, e lembra ter sido alfabetizado com os livros de Cecília Meireles.

Em dezembro passado, GOG recebeu o prêmio Hutúz, junto com Racionais MC’s, Rappin’Hood e o falecido Sabotage. Incendiou o show de entrega com a canção que foi contemplada como um dos quatro melhores clipes da década, Brasil com P.

“GOG quer que seu livro seja espada, pois ele já deu o escudo”, assim é apresentado por Walê na orelha do livro.

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"Neste livro, ele constrói o hip-hop nacional, tijolo por tijolo, letra por letra, léxico por léxico, partitura por partitura. Estamos diante de uma obra de arte". (Hamilton Borges Walê)

Título: A rima denuncia
Autor: Genival Oliveira Gonçalves ou simplesmente GOG
Apresentação: Pedro Alexandre Sanches
Organização: Nelson Maca
Páginas / preço: 256 / R$ 36,00

Guilherme Loureiro
Imprensa / Comunicação Editoras GLOBAL, GAIA e GAUDI
Tel.: (11) 3277-7999 ramal 209 /
DDR (11) 3382-5802
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(DIVULGAÇÃO)


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O Poeta do Rap: da Rua ao Livro*

por: Nelson Maca
(eu mesmo, o organizador do livro)

[...] Muito cedo, Genival Oliveira Gonçalves, o GOG, recebeu a alcunha de Poeta do Rap. Quando ouvi esta expressão pela primeira vez, fiquei instigado e passei a dar ainda mais atenção à sua música. Como homem das letras, concentrando meu interesse em literatura, moveu-me o desejo pela busca da compreensão das bases concretas desse reconhecimento público diferenciado de sua poesia.

Por que ele e não outro é tratado assim, sendo que temos outros exímios letristas no Rap Nacional? [...]

Entre outros interesses musicais e literários que tomam minha alma de admirador, professor universitário, pesquisador, poeta e ativista das linguagens artísticas da negritude, comecei a prestar o máximo de atenção nesse artista. A contundência discursiva de suas letras, apesar de totalmente identificada com os relatos e sentimentos dos bolsões de miséria do Brasil, não se restringe à “gueto-visão” de um mundo percebido por determinismos humanos e geográficos. Ele se identifica, mas não limita seu trabalho. Seu olhar se expande para outras esferas da vida nacional, bem como para o continente latino-americano, e, pontualmente, à esfera mundial. [...]


Ele tem um cuidado especial com a construção do texto verbal, a letra, o poema, sustentando-o numa base musical que potencializa e amplia sua dicção. Isso resulta numa expressão com toda elegância possível na linguagem sem deixar de ser, solidamente, politizada. Muitas de suas imagens, reais ou imaginárias, lúdicas ou pragmáticas, pacíficas ou bélicas, harmônicas ou conflituosas, não deixam de privilegiar o lugar único do indivíduo integrado no micro-sistema da família e da sua comunidade original. [...]

* Trecho do posfácio!

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