quinta-feira, 2 de julho de 2009

Correio Siber - Nagô

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A Nelson MaKa

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Irmão,

o campo nosso é esse, esse a qual estamos caindo uns e levantando outros, mas é chegada a hora de ausentar a queda. Separados somos alvos fáceis e se a luta é a mesma então somos uma, uma legião em campos dos pensamentos libertários, da arte como música despertando o subconsciente adormecido pelas canções de ninar capitalista.

O campo dessa batalha é nossa terra, e nossa gente não há de ficar somente vitimadas. Temos que debater sim, tem de acirrar o diálogo na questão da educação, da violência, dentre outras tantas deselegâncias que somos vítimas. Estou ai pro diálogo, pra ações...

No aprendizado nosso de cada dia e na disposição da noite.

Admiro tua escrita e tua pessoa, vinda a mim pelo Gog e pelo pouco tempo aproveitado por mim em te observar, mas como bom observador, minha admiração por você é direta, ou melhor, é esquerda, esquerda do coração. Gog, é nosso, nosso em coletivo...um ótimo amigo e um grande falante ao som do despertar de minha mente.

Cada palavra tua, Maka, tens minha reciprocidade.

Forte abraço meu amigo.


por Crônica Mendes


Fonte: http://www.cronicamendes.bogspot.com/

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A Crônica Mendes



Salve Salve
Crônica Mendes,

antes de tudo, depois de mais nada, muito obrigado pelas palavras a mim dedicadas, Irmão. Gostaria, por conta própria, e em exercício de coletividade, de estendê-las a todas as pessoas que se entrecruzilham em nossas demandas de remanescentes dos Guerreiros Egípcios das primeiras eras negras, fortes e livres de toda humanidade conhecida. Nós, que nos reconhecemos reminiscências dos etíopes, que nos queremos Imperadores de nós mesmos, Negus da reabertura de nossos caminhos.

Cada encontro, cada chegada, cada aliança estabelecida amplia nossa força, amplia nosso grupo, fortalece nosso fronte; aliás, por ora, única via em possibilidades de superação dos conflitos do nosso povo.

Não digo de um ou outro de nós, assinalado pelos maus espíritos que nos cercam, para adentrar os castelos e sentar à mesa dos opressores como aqueles porcos da Revolução dos Bichos. Falo da cumplicidade de nós mesmos - sem precisar trocar, alugar, vender nossa verdade anterior, nossa virtude interior. Sem trocar cabeças, sem alugar mãos, sem vender nosso sexo e nossa música, nossos braços e nossa alegria, sem almejar as migalhas que sempre nos oferecem em troca de confissões cordiais e delações premiadas - e que muitos aceitam galantes.

Crônica, tenho escrito sobre isso tudo... Parece papo de escritor maldito, eu sei, mas minhas palavras me maltratam! Minha poética quer mexer nessas coisas impróprias. Não quer deixar de apontar o inimigo de fora, não!, mas também procura mexer nas interpéries por dentro do grupo, nas trovoadas e chuvas fortes de nosso próprio corpo individual.

É foda admitir, mas uma parcela do problema reside em nós mesmos. O trabalho maior no combate às forças que fundam e querem eternizar nossa mutilação exige que olhemos, também, para dentro de nós: no grupo e na alma de cada um. Frantz Fanon já apontou os caminhos de nossa mutilação de exilados na própria terra e nossas peles pretas de almas brancas.

Por isso devemos aprender a dizer NÃO...

Porque, cada vez que esboçamos uma reação menos adocicada e complacente (que nunca será - de fato - reação!), eles nos estendem uma nota de cem, a capa do jornal, um minuto na tv, um prêmio especial, e até mesmo aqueles amores impossíveis!

E nossa arte vai por água abaixo, vai para o ralo, vai para o mercado com chances enfim, mas não mais com a nossa cara, com a nossa finalidade. Vai, sim!, com as máscaras da cara do consumidor.

Não é fácil, Irmãzinho!

Por isso nossa arte nos palcos, nos livros, nas telas, nos muros, no solo, no corpo, deve ser tão bélica como a tropa no fronte do "campo de confronto". Para mim, muitas vezes, uma arte sem chance, eu sei; mas, para mim, ainda assim, muitas vezes, uma arte sem negociação, eles sabem!

Sei que você me entende, Crônica.

Sei que você sabe até aonde vai os fatos e até aonde vai a poética e a retórica do que escrevo. Sei também que você sabe que, em mim, tudo tem o mesmo peso e valor: a dor pode ser bela, a beleza pode ser triste, a vida pode estar fora do texto, a morte pode gerar versos. Mas não há fronteiras no todo. Não escrevo porque vivo; vivo intensamente no que escrevo! E escrevo como Preto Rebelado Descendente de Escravos Fugidos! Escrevo tudo isso em maiúsculo!

Enfim, lendo seu texto a mim dedicado, resolvi responder como fiz acima! Sem reivindicações ou uma pauta antecedendo a escrita. Apenas aberto aos desdobramentos concretos que brotam dos encontros na luta.

Também lembrei muito de um poema meu (longo) que sairá no meu futuro livro impresso (pronto na gaveta), "Gramática da Ira". Vai aí um fragmento que nos pertence e muito obrigado pelo reconhecimento da minha pessoa e dedicatória do seu texto.


A Caminho de Palmares

“Caravanas a caminho de Palmares se cruzavam na trilha,
se juntavam e seguiam lado a lado.
Ai de quem se metesse a tentar impedi-los de seguir em sua caminhada...
Eram varridos como ciscos incômodos e mal quistos!”


One People! one love!

(Visitem: http://www.cronicamendes.bogspot.com/ )

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Nelson Maca
Exú Tímido Paradoxal Sem Síntese Possível

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3 comentários:

Anônimo disse...

"Falo da cumplicidade de nós mesmos - sem precisar trocar, alugar, vender nossa verdade anterior, nossa virtude interior."
Cumplicidade é relação entre criminosos. Os brancos são criminosos, Macca? Trocar, alugar, vender NOSSA VERDADE ANTERIOR, NOSSA VIRTUDE INTERIOR???? Que conversa é essa, rapaz...

Quem vive de passado é museu, quem acredita na virtude do homem é o Papa...Quem conversa com branco é cúmplice, mas cúmplice de que crime, porra? Crime de não ser racista, saquei, quem conversa com branco negociou a alma, é isso caralho?

Caio Porto

DiegØ 157 disse...

Duas referências!

cego-mundo-surdo-poeta disse...

Fomentações e desejos reativos. discordem , mas não me toquem na poesia.